Chinelagens

Meu amigo Heitor Schmidt me mandou a notícia de uma senhora cega que quase foi expulsa da praia, em Balneário Camboriú. Um grupo de mulheres não queria que o cão-guia que a acompanhava ficasse ali. Chamaram até a Brigada.

No fim, dona Olga Souza, gaúcha, ficou na praia, porque é amparada por lei.

E os que levam aparelhos de som para a praia e lá ficam porque ninguém reclama? Estive em Torres esses dias, aguentei por alguns minutos ao lado de uma caixa de som gigante e fui embora. Se reagisse, seria vaiado (e isso que o som ali é proibido).

Concluí o seguinte: o veranista enfrenta uma senhora cega com seu cão-guia, mas não enfrenta os barbados do som na areia.

A maioria não está nem aí para a chinelagem da música ruim na praia, em qualquer praia. Acho até que gostam. E por isso merecem a chinelagem.

O inferno

Caminhei no fim da tarde no calçadão de Ipanema, de ponta a ponta. Uma constatação que só comprova o que já antecipavam os porto-alegrenses pessimistas: a lei que pune quem ouve música que possa ser ouvida fora dos carros é apenas mais uma lei.
A música de afugentar sabiás saía de dois carros, em pontos diferentes, para que toda a zona sul ouvisse (e a lei prevê punição, mesmo para som baixo).
Perto dali, duas viaturas da Brigada estavam estacionadas numa esquina próxima da estátua de Oxum.
Os policiais paravam motoqueiros e pediam documentos. Domingo à tarde continua sendo um inferno para moradores e para quem vai ao calçadão de Ipanema para curtir o rio.

O povo e a bagaceirada

Aos que se fizeram de desentendidos sobre o que escrevi a respeito da bagaceirada do som alto na orla do Guaíba, informo aqui o link de um texto do ano passado em que manifesto minha posição sobre espaços públicos.

Ao contrário do que alguns insinuaram, eu deixo claro o óbvio: que as ruas de Ipanema não são dos seus moradores.

Mas repito que aquele espaço não pode ser sequestrado pelos que aparecem aos domingos para infernizar quem mora ali e quem frequenta a orla. Vou repetir: a bagaceirada da classe média motorizada não pode tomar conta de Ipanema e desrespeitar todo mundo com suas músicas, inclusive, é claro, seus moradores

Aliás, precisamos de mais povo e menos gente agressiva de som alto em Ipanema. E mais bancos para o povo ter onde sentar-se para ver o sol se pôr no Guaíba.

Aí está o link.

http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticia/2015/08/moises-mendes-quem-tira-a-bicicleta-do-caminho-4826111.html

 

Os sons, de novo

Escrevi ontem sobre a lei que pune motoristas que estejam em carros (andando ou parados) com som que possa ser ouvido fora do veículo. Não interessa se o som é alto ou baixo. Se for ouvido fora do carro, é infração.
Pois bem. Às 17h de domingo, entrei na Avenida Guaíba, em Ipanema, e percorri o trajeto de uns quatro quilômetros, desde o cotovelo, logo depois do Bologna, até o Guarujá. Ali na beira do Guaíba está o foco da bagaceirada que vem de todas as regiões de Porto Alegre para infernizar a vida dos moradores aos domingos.
Encontrei três automóveis com som que poderia ser ouvido na rua. Um andava logo atrás do meu carro, com o clássico som bate-estaca, a todo volume.
Os outros foram encontrados mais adiante, parados, com som médio, mas chato. Não encontrei um brigadiano ou um azulzinho para perguntar: quem de vocês multa estes caras?
E agora digo o que eu acho: essa lei não pega. Só vai pegar se algum preso na masmorra de Curitiba delatar um motorista com o som alto. E, claro, se o motorista for do PT.