O TCU FOI ENROLADO

O Tribunal de Contas da União caiu no conto do Coaf. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras, que Moro queria sob seu controle mas ficou com Paulo Guedes, não disse nada com nada na resposta que deu ao TCU sobre a suspeita de investigação das movimentações financeiras do jornalista Glenn Greenwald.
Não diz se investiga nem se não investiga e faz uma enrolação pretensamente jurídica de por-isso-e-por-aquilo.
Agora, resta saber se o TCU e o Ministério Público, que acionou o tribunal para que cobrasse explicações do Coaf, vão ficar quietinhos e resignados, como ficam quase todos os que temem o bolsonarismo.
Se ficarem silenciosos, é porque se entregaram ao comando de Sergio Moro, como o Supremo se entregou ao golpe (que chegou a presidir, solenemente) e à Lava-Jato (que sempre fez o que quis).
Um outro órgão, se é que existe, poderá exigir a informação que o Coaf nega? Glenn Greenwald está ou não sendo bisbilhotado pela polícia política de Sergio Moro?
Sim ou não? Quem tem coragem para cobrar essa resposta, mesmo que, pelo próprio negaceio do Coaf, parece que a pergunta já foi respondida?
Greenwald sabe o que os próprios ministros do TCU desconfiam e já foi relatado pela Folha: é quase certo que o diretor do Intercept está sendo investigado em ações de arapongas. Formalmente, essas “sindicâncias” nunca irão aparecer.
Mas um dia os servidores republicanos terão de contar o que acontece sob o regime bolsonarista, ou alguém acredita que todos eles foram cooptados pelo esquema? Que falem logo.

Desproporcional…

Assim começa uma notícia de hoje no Globo: “Na contramão de um relatório técnico do Tribunal de Contas da União (TCU), os ministros da Corte de contas excluíram o ministro-chefe licenciado da Casa Civil, Eliseu Padilha, de processo que cobrava pagamento de R$ 7,2 milhões por obras superfaturadas em 2001, ano em que comandava o Ministério dos Transportes no governo Fernando Henrique. Relator do caso no TCU, o ministro Bruno Dantas ignorou o parecer dos auditores e considerou que a sugestão para responsabilizar Padilha era desproporcional”.
O resto nem precisa ser lido. Tudo para a direita parece ser desproporcional.
E a Dilma caiu porque o TCU disse que ela cometeu pedaladas… Quer dizer, esse foi o pretexto.

Cada um com seus bens

 

A tese de que Eike Batista denunciou Mantega apenas para ganhar privilégios da Lava-Jato talvez não diga tudo.
O que importa mesmo é uma pergunta que o bom jornalismo das grandes redações de São Paulo e do Rio tentaria responder até anos atrás: o que Eike pode ter pedido e não levado de Guido Mantega?
A resposta poderia explicar por que Eike ataca Mantega sem piedade. Mas aí é pedir demais de redações atordoadas pelo golpismo.