SALVEM SUAS ALMAS

O Brasil já sabe que uma quadrilha foi articulada para fraudar a eleição. Que grandes empresários articularam a quadrilha e pagaram milhões de reais a redes disseminadoras de notícias falsas e de difamações através do WhatsApp.

Que a ação dessa máfia teve o conhecimento do comando de campanha do candidato do fascismo. E que o Tribunal Superior Eleitoral até agora não moveu um dedo para trancar e muito menos para punir a ação da quadrilha.

O Brasil precisa saber que a Justiça Eleitoral, acovardada e acumpliciada com os que não reagem, passa a ser conivente com a fraude contra as eleições no Brasil. O TSE é uma instituição imobilizada e amedrontada.

O crime é mais do que caixa 2, é um atentado contra a democracia, com abuso de poder econômico e com a omissão de todos os que deveriam fiscalizar a eleição.

Os alertas dos democratas já não devem mais ser dirigidos aos tribunais, que nada farão contra o que acontece, porque são, pelo silêncio da cumplicidade, ratificadores da fraude do dinheiro sujo usado para produzir calúnia e favorecer o candidato da extrema direita.

Quem precisa ouvir as advertências de juristas e de todos os democratas e também ser ouvido é o brasileiro ainda em dúvida sobre suas escolhas.

O brasileiro indeciso ou sem convicção sobre o caminho que adotou, esse brasileiro deve refletir sobre suas opções antes de caminhar na direção da fraude e da farsa.

O povo já sabe que está sendo enganado pelas quadrilhas que produzem e distribuem fake news e vai reagir. E a classe média brasileira ainda pode salvar sua alma.

A JUSTIÇA ACOVARDADA

A ministra Rosa Weber, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, havia marcado uma entrevista para esta tarde para falar sobre a produção de mentiras por empresários que usam o WhatsApp e seus milhões para difamar o PT, Haddad e Manuela.
Pois a entrevista foi adiada, talvez porque ela não tenha o que dizer. Será dada no domingo.
Uma entrevista sobre providências contra um fato grave, que deve ser encarado com urgência, é adiada para um domingo, a uma semana da eleição. Um domingo… Por que um domingo?
É preciso enfatizar mais uma vez que esse caso, denunciado pela Folha de S. Paulo, é mais do que caixa 2. É a disseminação em massa de fake news e calúnias por empresários criminosos.
Quem continuar com essa conversinha de caixa 2 apenas contribui para que o fascismo seja anistiado. Caixa 2 é conversa fiada, mesmo que possa ser a melhor forma de enquadrar a direita por crime eleitoral, até porque o TSE não moverá um dedo contra caixa 2. O eleitor não quer saber de moralismos de caixa 2.
Temos que dizer o nome do escândalo: formação de grupos mafiosos para burlar a eleição e espalhar mentiras às custas de milhões e milhões de reais.
É disso que a Justiça deve tratar, e não só a Justiça eleitoral. O caso a ser investigado é de formação de quadrilhas de empresários para agir contra a democracia. O resto é o resto.

Os donos do Judiciário

Todos os três advogados de uma lista tríplice enviada ao jaburu-da-mala, para uma vaga de assessor no TSE, têm um dado em comum, um pequeno detalhe.
Os três são funcionários da Gilmar Mendes na faculdade aquela que faz conferências com tucanos em Portugal.
Gilmar Mendes é o dono da faculdade. E preside o TSE. O Judiciário está sendo pisoteado sem nenhuma reação das entidades dos próprios juízes.
Com exceção dos Juízes para a Democracia e de alguns juristas que pediram o impeachment do juiz supremo que faz reuniões noturnas com o jaburu.
Nem na ditadura, sob a ameaça de baionetas e paus-de-arara, o silêncio foi tão perturbador.

Águas dóceis e murmurantes

Napoleão Maia Filho, o já famoso ministro do TSE que ameaça degolar os inimigos, é poeta. Nesses dois poemas, uma amostra do seu talento para a temática erótico-marítima:

A Ostra
Esconde-se na sua intimidade
a cintilação da pérola furtiva
e oculta o brilho e a fecundidade
de tudo que por ela se principia.

É campo, área e vazante
úmida, fértil e macia
com as águas dóceis e murmurantes
de um túrgido rio que se anuncia.

…………………………..

A Vaga
No mar a onda brilhante
susta o tempo:
é aquele instante
do longo momento
interminável e só,
quando o movimento
se faz e se contrai.

Inverte-se o líquido
o mar é o infinito.

O juiz da degola

Precisamos falar mais de Napoleão, o ministro que estava abatido no julgamento do TSE, foi avisado de que um filho agitado pretendia invadir o plenário com um envelope, ficou tensionado, começou a discursar e disse que os inimigos devem ser degolados. Depois do discurso, teria aumentado seu abatimento.

Napoleão Nunes Maia Filho é mais uma figura esdrúxula do cada vez mais estranho Judiciário brasileiro. Os jornais já informaram várias vezes que delatores o comprometeram por envolvimento em relações anormais com a OAS e com a JBS.

O que Napoleão tem a explicar? Quem irá investigar Napoleão? O que havia no envelope? Por que o filho do ministro estava tão apressado e nervoso? Napoleão estaria à espera de uma notícia ruim durante o julgamento?

Napoleão, que apareceu assim tão de repente, não pode pretender sair de fininho, sem que saibamos mais a seu respeito. Ninguém faz um gesto de degola impunemente, muito menos num tribunal. Ou faz?

 

E agora?

Algumas considerações sobre o que aconteceu ontem, enquanto tomo meu mate com carqueja:

– O espetáculo do TSE acaba com a certeza de que nada poderia ser mais vexatório para a Justiça brasileira do que a ação seletiva e a masmorra da Lava-Jato de Curitiba.

– Qual será a próxima de Gilmar Mendes? Ou o que o Supremo nos reserva?

– Como a Globo irá reagir, depois de fracassar no esforço para derrubar o jaburu-rei e vislumbrar a eleição indireta de Henrique Meirelles para presidente?

– Com quem ficará o PSDB, o partido mais oportunista (mais do que o PMDB) desde o golpe de agosto?

– O que pode salvar a imagem destroçada de um Judiciário em que os juízes atuam descaradamente como acusadores ou defensores, enquanto um deles chega a ameaçar degolar seus inimigos e é parabenizado pelos colegas?

– Qual será o próximo espetáculo desta direita em surto?

 

A direita está com o diabo no corpo

Napoleão Nunes Maia Filho, o ministro da cabeleira branca que ameaçou seus inimigos com a ira do profeta, é a versão TSE da Janaína Paschoal.
Faltava essa agora, um sujeito religioso em transe (ou em surto?), lançando ameaças de degola no meio do mais importante julgamento do tribunal eleitoral do país. Imaginem o Napoleão fazendo dupla com aquele procurador que caça corruptos em nome de Deus.
O que essas figuras nos dizem é que não temem a ira do povo. O diabo está se divertindo com os homens da Justiça no Brasil.

Elefantes na savana

Se usasse a metáfora do avestruz em uma redação do Enem, o ministro Luiz Fux seria vaiado pelos avaliadores. Essa do avestruz deveria ser proibida em quaisquer circunstâncias. É antiga, é pobre, infantil, simplória.
Mas Fux a usou e ganhou manchetes na TV como se fosse nosso Camões:
– Nós somos uma corte. Avestruz é que enfia a cabeça no chão.
O mesmo Fux já usou a frase feita “passar o país a limpo”, que poderia acionar um choque em quem a repetisse como se fosse grande coisa.
O julgamento no TSE promove um desfile bizarro, e ao vivo, de literatices variadas.
Políticos, advogados, promotores, juízes e tribunos em geral sempre foram autores de tiradas literárias, mesmo que levadas prontas de casa. Isso não existe mais.
Cantadores de cordel do Nordeste e trovadores gaúchos devem estar envergonhados com o que estão vendo e ouvindo.
Ministros de peruca definem máfias de corruptores como manadas de elefantes nas savanas (ah, nossas belas savanas de Viamão), outros continuam recorrendo a metáforas de doenças (câncer, cancro, metástase). É a mediocridade togada.
O golpe, a Lava-Jato e seus puxados e anexos conduziram o Brasil a essa antologia de tolices jurídicas e ‘literárias’.

 

Ressuscitaram o Ottomar

ottomar

Gilmar Mendes no dia 7 de abril deste ano, ao comentar (ele comenta tudo) o julgamento das contas de Dilma-Temer na campanha eleitoral de 2014:

“Não há jurisprudência no TSE a propósito. Em geral, o que o tribunal tem dito é que a cassação do cabeça de chapa afeta também o vice”.

Gilmar Mendes hoje, dia 6 de junho, sobre o mesmo caso: a coisa mudou, porque ele examinou o processo do ex-governador de Roraima Ottomar Pinto, que era julgado por crime eleitoral, mas morreu durante o processo.

Seu vice assumiu e foi inocentado, porque o tribunal entendeu que o responsável pelas contas é o titular da chapa.

De modos que Ottomar pode salvar Michel Temer:

“Essa é uma pista que se tem dessa matéria, mas será um novo caso, com novas configurações”, disse o Mendes.

Em dois meses, a jurisprudência dá saltos fantásticos. Só que Ottomar está morto desde 2007. Gilmar Mendes ressuscita o que for preciso.