Titanic

O interminável debate sobre o novo disco do Chico é como se os náufragos do Titanic parassem para discutir, pouco antes do fim, se a orquestra deveria tocar Nearer, My God, To Thee, ou Danúbio Azul.

O Brasil afundando e todos cantando a Tua Cantiga do Chico. Não só cantando como debatendo. “Quando tua garganta apertar”…

Esse Chico menestrel só pode estar de sacanagem. Me disseram que um crítico garante que a música é erudita e também é pop, porque a amante poderia ser o Chapeuzinho Vermelho.

Pois seu Mércio, que estava quieto, acha que a amante da cantiga não é uma mulher, que é Paris.

Aos que se assustam com essa discussão toda sobre métricas e rimas, às vésperas do aniversário do golpe, seu Mércio diz: uma hora vai passar.

https://www.youtube.com/watch?v=EUV_YbmHk6Y

Viva Chico

Há exagero no tom de certos defensores de Chico Buarque. Os fãs, a irmã, o padre da paróquia do Leblon, todos foram mobilizados como escudos de um artista que deveria estar submetido a todos os olhares possíveis, como qualquer outro.
Eu não chamei Chico de machista, jamais chamaria, e escrevi aqui apenas que a música em questão (“Tua Cantiga”) rebaixa a poética do moço. Mas disseram que sou machista por criticar Chico, o cara que entende as mulheres.
Podemos falar de eventuais defeitos da arte de Picasso e até de Michelangelo, mas não da arte e da mitologia criada em torno de Chico? Que totem é este Chico Buarque?
Que arte intocável é essa que não permite nenhuma abordagem, por mais superficial que seja, se ela está disponível a todos, e não só aos entendidos?
Falar de música não é coisa para críticos. É para todos nós, os mortais, que hoje em dia entendemos até de pedaladas fiscais (rimou sem querer). Ninguém está atacando Chico.
Nem estamos falando de um partido ou de uma seita. Chico deve estar incomodado com a defesa exagerada que fazem dele, como se fosse um artista incapaz de se defender com sua própria arte. Viva Chico.