DALLAGNOL, O ATRASADO

Imaginem daqui a 20 anos Sergio Moro e Deltan Dallagnol fazendo discursos e emitindo notas pelo Twitter sobre os corruptos do PSL e do bolsonarismo. Mas daqui a duas décadas.

Dallagnol agora larga notas sobre Paulo Preto, o operador da quadrilha que roubava para os tucanos.

Preto, denunciado como laranja de José Serra há décadas, o homem dos R$ 130 milhões em contas na Suíça, agora é considerado perigoso por Dallagnol.

Mas só agora? Só depois que as autoridades suíças disseram como Preto operava é que o procurador da Lava-Jato se deu conta de que o sujeito é o perigoso laranja de Serra e do alto tucanato?

Por que Dallagnol levou tanto tempo para emitir notas sobre Paulo Preto, se há décadas o mafioso é investigado por corrupção?

O que levou Dallagnol a se manifestar sobre os roubos de Paulo Preto, se o laranja, Serra e seus comparsas estão a caminho do benefício da prescrição, que só beneficia tucanos?

Seria porque Preto agora é assunto da Lava-Jato? Mas Dallagnol tem opinião sobre tudo, sempre teve.

Então, não se surpreendam se daqui a muitos anos os indignados calados de hoje vierem a se manifestar sobre as falcatruas dos amigos dos milicianos do Rio das Pedras.

Que Dallagnol converse com os seus colegas procuradores estaduais do Rio sobre as investigações em torno da conexão dos milicianos com a política da extrema direita de uma certa família.

Que expresse apoio aos seus colegas dedicados ao enfrentamento de milicianos mais ameaçadores e perigosos do que Paulo Preto.

Que Dallagnol faça suas anotações (ele opina sobre quase tudo) na hora certa e não fique à espera de subsídios da Suíça para atacar tardiamente a direita corrupta.

A MÁFIA ESCAPA DE NOVO

Mais um engavetamento que favorece os tucanos. A sexta turma do Superior Tribunal de Justiça mandou arquivar o processo sobre fraudes nas licitações envolvendo o famoso cartel de empresas que agiam nos governos do PSDB no metrô de São Paulo.
O argumento é o de sempre: os crimes estão prescritos. Tudo que é contra a direita prescreve. Já aconteceu no caso da propina paga a Serra e em tantos outros casos.
A Justiça rápida contra Lula é lenta contra o PSDB. Sem a condenação do cartel, fica difícil pegar os que pagavam a máfia do metrô, ou seja, os comparsas do tucanato, os donos do cofre.
Mais uma vez eles escapam. A copa da impunidade será sempre dos tucanos, ele serão sempre os campeões. Com o Judiciário e com tudo.

OS TUCANOS E BOLSONARO

A pesquisa DataFolha que mostra Lula liderando cada vez mais (e por isso foi encarcerado) e Alckmin com apenas 7% reafirma o que todos já sabem. O golpe destruiu com o PSDB.
Eles acharam que iriam desmontar o PT. E o PT se fortalece, Lula é líder em todas as pesquisas e os tucanos caem aos pedaços. O golpe acabou com o partido da direita golpista, com Alckmin, com Aécio, com Serra.
O que sobrou para eles é Bolsonaro. A direita cheirosa caiu nos braços do que existe de pior na política brasileira desde a ditadura.
A direita que deu o golpe criou Bolsonaro, enquanto destruía o próprio partido. Eles merecem Bolsonaro. Eles se merecem.

LADRÕES DE MERENDA

Tucano tem obsessão com merenda escolar. A máfia que agia em São Paulo, no governo de Geraldo Alckmin, tem um deputado tucano que já é reú, Fernando Capez, ex-presidente da Assembleia, e mais outros oito denunciados à espera de decisão da Justiça.
Capez vai ser processado como parte de uma quadrilha que desviava recursos da merenda das escolas. É crime para prisão perpétua.
Hoje, a Polícia Federal cumpriu 154 mandados de busca e apreensão, em investigação sobre outro braço da máfia. São 85 pessoas envolvidas, com 13 prefeitos, quatro ex-prefeitos, vereadores e servidores públicos. Todos roubavam merenda.
Um empresário fornecedor de merenda fez a seguinte sugestão para que alguém de uma prefeitura reduzisse custos e assim sobrasse mais dinheiro para a quadrilha: “Corta a carne, fornece ovos para essas crianças”.
Não se sabe se o homem era tucano. Mas os tucanos amigos de Capez devem saber do que se trata.
No início do ano, o secretário de Educação da prefeitura tucana de Porto Alegre, Adriano Naves de Brito, disse na Câmara que as crianças estavam sendo recomendadas a não repetir a refeição nas escolas do município. Estavam ficando obesas.
Em reunião na Câmara de Vereadores, Brito saiu-se com essa frase que antigamente se chamada de pérola: “É muito inadequado que o aluno se alimente mais de uma vez”.
Deve ser inadequado que uma autoridade da área da educação diga uma besteira tão grande, que afronta a realidade das crianças das periferias.
Alguém deve saber explicar porque a merenda mexe tanto com os tucanos.
Que crueldade é esta que faz com que homens públicos usem a merenda para roubar ou como pretexto para dar aulas sobre os riscos da obesidade, num país em que muitas vezes só a escola pública garante uma alimentação digna a milhares de crianças?

Alckmin e Amônio

Um gaúcho fino, ex-secretário tucano da Justiça, pensador sofisticado do liberalismo, tão sofisticado que seus artigos são maravilhosamente barrocos, gongóricos e circulares, escreve o seguinte hoje na Folha:
“O PSDB age bem em não sustentar politicamente a posição de Aécio, e Alckmin dá um bom sinal dizendo simplesmente que a lei é para todos”.
Uau. O PSDB age bem em não segurar a alça da mala do Aécio? Alguém poderia ter pensado em segurar?
E a lei é para todos, segundo diz, simplesmente, o sábio Alckmin.
Bota sofisticação nisso. Não é qualquer um que cita Alckmin. o impune, como se citasse Amônio Sacas. Os pensadores tucanos são rococós.

Aleluia

A Lava-Jato tem quatro anos, mas pela primeira vez um tucano foi denunciado em São Paulo. É grande, mas é laranja. É o famoso Paulo Preto, homem de confiança de José Serra, flagrado por autoridades da Suíça com depósitos equivalentes a R$ 130 milhões.
Foi denunciado pelo MF Federal por peculato, corrupção e organização criminosa. Preto é conhecido como operador de propinas do PSDB. Agiu durante anos. E há anos todos sabiam que era o cara dos tucanos nos roloscom grana pesada.
Foi denunciado agora pelo desvio de verbas do programa de reassentamento da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A), da qual foi diretor no governo tucano de Serra de 2007 a 2010.
O que acontecerá com Preto? Talvez aconteça o que aconteceu com os tucanos investigados há uma década por causa do cartel e das propinas do metrô paulista. Nada, nada, absolutamente nada.

O HOMEM DAS MALAS DOS TUCANOS

Publicada nesta terça-feira, 27 fevereiro 2018

A Folha descobriu hoje que Paulo Preto, o Geddel dos tucanos, que guardava R$ 130 milhões, precisa ser desvendado.
Mas pede em editorial que isso seja feito pelo Ministério Público e pela Justiça.
Paulo Preto circula há décadas arrastando malas por entre as pernas dos repórteres da Folha e do pessoal do MP e do Judiciário.
Só descobriram as malas de Paulo Preto porque as autoridades da Suíça mandaram perguntar às autoridades brasileiras: vocês não vão fazer nada?
Mas a Folha ainda acha que desvendar os laços do sujeito das malas tucanas com Serra, Alckmin e Aloysio Nunes não é missão do jornalismo.
Seria se ele fosse do PT.

(Tudo que a Folha não consegue dizer no editorial o gênio de Laerte diz na charge acima.)

O canto dos tucanos

Li o documento do PSDB, que tenta transmitir a ideia de que o partido vai andar de novo em direção às suas origens de centro-esquerda. Acho interessante como provocação, mas e daí?
O documento me faz lembrar os programas do PSDB para os dois governos de Fernando Henrique. Ambos escritos sob a coordenação de Paulo Renato Souza.
Escrevi a respeito, no segundo governo FH, sobre o caminho que na época era inverso. De um programa social-democrata, no primeiro governo, para um programa mais liberal no segundo.
Eram textos sedutores, bem elaborados, com detalhamentos, até porque Paulo Renato era reconhecidamente bem preparado e se dedicava com afinco ao que fazia. Mas o que documentos como esses significam hoje em dia?
Talvez signifiquem apenas tentativas de acenos a um centro democrático que anda perdido. E o documento tem também um certo cheiro de populismo de direita.
Mas quem do povo, que o PSDB tenta alcançar, vai ter tempo e paciência para ler declaração de intenções no meio desse tiroteio?
Os tucanos tentam dizer que podem ser uma alternativa não necessariamente conservadora, como sempre foram, e que desistiram de trabalhar só para os ricos. Acredite quem quiser.

Os federais ameaçados e os tucanos da Lava-Jato

Os policiais federais temem o novo ministro da Justiça. Torquato Jardim teria sido o escolhido do jaburu-rei para esvaziar a ação da PF na Lava-Jato e fazê-la, quem sabe, ficar mais seletiva. Mas por que esse medo só agora?

Vamos relembrar. José Serra e Aécio Neves foram grampeados em conversas entre eles e de Aécio com o delator da JBS em que pedem que o bosta do Osmar Serraglio (a definição é de Aécio) fosse substituído na Justiça. E que derrubassem o chefe da Polícia Federal.

Serraglio era um fraco que deixava a Federal chegar nos corruptos da direita sem criar obstáculos. Ficava lá preocupado em defender latifundiários e grileiros na briga contra posseiros e índios e deixava a Lava-Jato sem controle.

Um ministro forte não permitiria, como insinuavam Serra e Aécio, que os inquéritos da Lava-Jato fossem parar em delegados errados. E que pegassem os frigoríficos. “E vai vir inquérito de uma porrada de gente”, como disse Aécio a Joesley.

Pois agora Torquato Jardim está aí, como homem forte do jaburu, e os federais temem que ele faça o que Aécio, Serra e Joesley queriam que alguém fizesse.

Só que a Polícia Federal foi contaminada pela política muito antes, não por autoridades estranhas, mas por seus servidores. Muito se ouviu dizer, quando Lula e o PT passaram a ser cercados, que o então ministro da Justiça no governo Dilma, José Eduardo Cardozo, precisava (segundo petistas) ser mais presente nas ações dos federais.

Deveria fazer o quê? Deveria, segundo alguns, identificar e mandar investigar, por exemplo, os delegados que, dentro da Lava-Jato, fizeram um grupo em Curitiba que torcia por Aécio e esculachava com Lula e Dilma.

O grupo de cinco delegados foi flagrado no whatsapp chamando Lula e Dilma de antas e exaltando as qualidades do mineirinho que, se sabe agora, estava disposto a mandar matar mulas depois que entregassem suas propinas.

O flagra vergonhoso do bloco tucano no whatsapp foi em 2014, depois das eleições. O líder da turma anti-PT e pró-PSDB era o delegado-chefe da PF na Lava-Jato, Igor de Paula. Igor está até hoje na Lava-Jato (não se tem notícia dos outros delegados tucanos), porque Cardozo não interferiu em nada em Curitiba.

Não se viu, em nenhum momento, um delegado dirigente da associação da categoria, um que fosse, dar entrevistas sobre o caso dos delegados de Curitiba que trocavam gracinhas contra Lula e Dilma na gandaia do whatsapp, como foi denunciado em 13 de novembro de 2014 pelo Estadão.

Mas agora os delegados estão preocupados com o risco de esvaziamento da Lava-Jato ou a infiltração dos homens do jaburu na Federal. Devem ser os mesmos que ficaram quietos quando o Estadão expôs a politização da operação dentro da organização há quase três anos.

Além dos cinco flagrados, quantos mais tentavam (e ainda tentam) tucanizar a Federal para o líder Aécio? Sem falar dos tucanos do Ministério Público e do Judiciário.

Mas naquela época a prioridade era a caçada a Lula e ao PT. Hoje, não sei se alguém sabe dizer ao certo qual é a prioridade da Polícia Federal. Talvez seja o esforço para livrar a instituição do controle dos que ainda conduzem o golpe.

Só que a PF esvaziada pelo protagonismo do Ministério Público na Lava-Jato pode estar reagindo tardiamente.

(Este é o link da matéria do Estadão em 2014)

http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,delegados-da-lava-jato-exaltam-aecio-e-atacam-pt-na-rede,1591953