O EX-JUIZ E A DELEGADA

A partir de hoje, Sergio Moro não é mais juiz federal. Passa a fazer parte da estrutura de poder que começa a ser montada por Bolsonaro.
De 1º de novembro, quando anunciou que aceitara o convite para ser ministro, até hoje passaram-se 19 dias. E nesse tempo todo, Moro sempre veio com a conversa de que, enquanto lidava com os preparativos para assumir, iria tirar férias.
Um juiz envolvido num projeto político controverso (apesar de dizer que está em missão técnica) tentou driblar os brasileiros, a própria magistratura e a própria consciência, sempre tão atenta a questões morais, e continuar recebendo como juiz, quando não mais atuava como juiz.
Sergio Moro tentou fazer o que não deu certo porque acha que tudo o que faz é aplaudido pela direita.
Alguns perguntam. Mas e se não der certo? Se não der certo, se não conseguir ser ministro do Supremo (que seria seu grande projeto), e como não pode voltar a ser juiz, Moro será advogado de gente com dinheiro.
Não fiquem com pena de Sergio Moro, que hoje confirmou a delegada federal Erika Marena na sua equipe, mas ainda sem cargo.
Erika foi a delegada do caso do ex-reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, da Universidade Federal de Santa Catarina, que se matou depois de sofrer um cerco da PF (e até hoje nada foi provado contra ele). A escolha da delegada é um acinte para professores, alunos e servidores da UFSC e para pelo menos metade da comunidade catarinense.
Mas esse é Sergio Moro, o ex-juiz que também vai chefiar a PF e terá na Justiça um poder que nenhum ministro da pasta teve, dizem que nem na ditadura.
Preparem-se. Se é que estamos em condições de nos preparar para alguma coisa do que vem aí.

A UNIVERSIDADE CERCADA

Mais um reitor da Universidade Federal de Santa Catarina entra na mira da Polícia Federal e do Ministério Público.
Agora é a vez de Ubaldo Balthazar, acusado, junto com o chefe de gabinete da reitoria, Aureo Mafra de Moraes, de ofender a “honra funcional” da delegada Erika Marena.
Os dois foram denunciados agora à Justiça pelo Ministério Público Federal de Santa Catarina.
Erika é a famosa delegada do inquérito que massacrou moralmente o reitor Luiz Carlos Cancellier.
O atual reitor e Moraes participaram em dezembro de um ato em defesa da memória de Cancellier, que se suicidou sob a pressão das acusações. O MP acha que os dois atingiram a honra da delegada.
As instituições seguem em Florianópolis o roteiro do caso da boate Kiss, em que vítimas passaram a ser processadas por acusadores.
Registre-se que o jornalista Elio Gaspari é um dos poucos da grande imprensa a denunciar o cerco sem provas ao reitor morto, acusado de obstrução de justiça.
A grande maioria dos jornalistas se acovardou. Nunca, nem no tempo da ditadura, a grande imprensa foi tão subalterna e covarde.

O cerco sem fim

Luiz Carlos Cancellier de Olivo, o reitor afastado da Universidade Federal de Santa Catarina, decidiu se matar porque devia saber que, por mais inocente que fosse, não conseguiria escapar.
Alguns alvos do Ministério Público e do Judiciário brasileiro não conseguirão escapar nunca. Se um processo falhar, outros serão abertos. E outros e mais outros. A tática consagrada contra Lula ainda será usada contra muitos. O reitor já havia sido condenado antes do julgamento. Gente importante e gente comum enfrentarão a mesma situação.
Enquanto isso, Aécio, a irmã de Aécio, Padilha, Moreira Franco, Serra, o jaburu, o Quadrilhão, a gangue do metrô paulista e os 300 corruptos do Congresso (entre os quais os autoproclamados estupradores) continuarão escapando. Mesmo com provas. Tudo porque o Judiciário não ‘consegue’ a ajuda do Ministério Público Federal para formar convicções e pegar a direita.
Golpistas que falam em ‘intervenção militar’ não sabem de nada, são apenas saudosistas românticos. O golpe precisa apenas do Quadrilhão do jaburu, dos 300 picaretas, da imprensa, do pato da Fiesp e principalmente do Judiciário.
O Judiciário, em suas mais baixas e em suas mais altas cortes, é o grande lastro do golpe.