Uma convicção pelo menos

Os tesoureiros do PT já foram processados e presos várias vezes por envolvimento com o mensalão ou com a Lava-Jato. Prende-se tesoureiro do PT com facilidade (Vaccari continua preso). Mas não há um tesoureiro do PSDB na cadeia.

Pela delação que aponta o depósito de R$ 23 milhões para José Serra na Suíça, as instituições poderão renovar o cadastro de tesoureiros corruptos, se quiserem, é claro.

São três tesoureiros à disposição da Polícia Federal, do Ministério Público e do Judiciário. Nenhum deles é novidade, todos já foram citados em algum momento por algum rolo no PSDB. São os ex-deputados Ronaldo Cezar Coelho e Márcio Fortes e o engenheiro Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto.

Todos são citados pelos delatores da empreiteira como operadores de Serra. O argumento do nosso chanceler já está pronto: eles agiam informalmente, sem sua autorização. Seriam tesoureiros à margem dos controles dele e do partido.

O que se sabe é que todos atuavam há muito tempo (inclusive em campanhas para Fernando Henrique Cardoso) para captar dinheiro de todo tipo de caixa.

O que pode aparecer de novo (e já apareceu no caso de Paulo Preto) é que parte do dinheiro não iria para as campanhas. Para onde teria ido? Os próprios tucanos dizem, há anos, que Paulo Preto apropriou-se de um pedaço para ele e amigos. Quem são os amigos?

O Ministério Público tem agora a chance de produzir a rosácea com bolinhas azuis, em powerpoint, e nos explicar direitinho a estrutura do esquema das propinas de Serra. Quem eram os ladrões que roubavam caixa dois de outros ladrões, conforme suspeitas dos próprios tucanos?

Se não tiver provas, alguma convicção o Ministério Público deve ter para finalmente produzir o esquema da dinheirama tucana.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Website Protected by Spam Master


5 + 1 =