Carta aos de amanhã

Aos de hoje e aos de amanhã (no direito)

Hamilton Bueno de Carvalho*

A geração que faço parte foi derrotada – ou derrotou a si-mesma.
Talvez pela nossa incompetência ou nossa vaidade ou nossa falta de comprometimento ou nosso vulgar egoísmo ou simplesmente por sermos uns merdas. Ou pela soma de tudo isso.

Houve vitórias pessoais – o que nada mais é do que a asquerosa vaidade vencedora. Escrevemos livros, viramos reitores, ficamos famosos, assaltamos academias e delas ficamos donos, chegamos a tribunais (até no supremo), viramos doutores, estacionamos na classe média alta.

Ficamos iguais a eles – pequenos burgueses com sede de poder. Tornamo-nos guerreiros de nós-mesmos em busca de grana ou de aplauso ou de status.

Chegamos ao poder e imbecilizamos (Nietzsche) – não conseguimos fazer nada para além de nós-mesmos contribuímos para que o atuar jurídico continuasse sendo o que sempre tem sido: mantenedor da dominação dos esgualepados: apto a preparar a vinda do que aí está – bolsonarismo do direito.

O pedido é um – não sejam merdas como nós fomos! Que fazer? Evidente que não sei: isso é tarefa de vocês, só de vocês e de ninguém mais.

Primavera de quarentena – zona sul de porto alegre de tempos sofridos.

*Amilton Bueno de Carvalho é jurista, desembargador aposentado.

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