O projeto coletivo de um outro mundo do Fórum Social Mundial foi trocado pela prosperidade individual do South Summit.
São dois eventos separados por duas décadas, que podem resumir os sonhos de uma mãe e de uma filha.
É a pauta do meu texto no jornal Extra Classe, com link logo abaixo:
https://www.extraclasse.org.br/opiniao/2025/04/mae-tive-uma-eureca/

Parabéns, Moisés, por Mais um texto que sai do lugar comum e chama a atenção sobre questões que muitas vezes passam despercebidas.
No final da década de 80, perto de minha saída da USP, recém as bibliotecas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), carinhosamente chamada de Fefeleche, onde trabalhei como concursado, iriam informatizar o processo de consultas em cada um dos dois acervos bibliográficos e todos os funcionários deviam fazer um curso rápido para dominar o novo sistema. Isso na principal capital e na maior universidade do país.
Coincidentemente, só fui adquirir o meu primeiro celular já no interior de Mato Grosso, em 2001, na virada do milênio, um marco de enorme simbologia para a primeira edição do Fórum Social Mundial. Conto isso para termos noção da rapidez com que novas tecnologias e o uso da internet se popularizaram no Brasil nos últimos tempos e introduziram mudanças inimagináveis e muitas vezes assustadoras em quase todos os campos de atividade.
Algo comparável com a mesma mistura de fascínio, resistência, medo e insegurança que hoje, 35 anos depois, sentimos ao saber de algumas das inúmeras possibilidades que estão dadas para o uso de IA, para ficar apenas em um exemplo dos avanços mais recentes.
Tudo isso, inapelavelmente e sem que pudéssemos evitar e mesmo sentir os efeitos imediatos ou de médio e longo prazos, afetou e tem afetado de maneira drástica as formas de dominação e a correlação de forças entre as classes, as relações de trabalho, o movimento sindical e outros movimentos sociais, o cotidiano e as relações familiares e sociais dos trabalhadores e, inevitavelmente, introduziu profundas mudanças nos próprios sonhos dos jovens de cada nova geração.
E pensar que estamos apenas no início de outras profundas e marcantes transformações que serão mais ou menos sombrias conforme se comportar o pêndulo definidor da supremacia geopolítica e econômica nas próximas décadas. Por enquanto, Trump, ao enfiar as mãos pelos pés, tem colaborado para tornar o horizonte menos ameaçador. Mas o fascistão de topete vermelho, que teve condicional apoio das Big Techs, é imprevisível e já deu mostras de que mesmo em situações dentro de seu controle pode ser capaz de qualquer estupidez.