A CRÍTICA TARDIA DE MARCO AURÉLIO

O ex-ministro Marco Aurélio Mello está condenando publicamente, em entrevista à Folha, a designação do general Fernando Azevedo e Silva para o cargo de diretor-geral do Tribunal Superior Eleitoral.

O argumento é o mesmo de parte das esquerdas. A ocupação da função por um militar, mesmo sendo da reserva, é a usurpação de um cargo dedicado a civis, principalmente em ano de eleição.

Nunca se ouviu Marco Aurélio dizer nada semelhante (se disse, me alertem) sobre a presença de Azevedo e Silva no Supremo como assessor do então presidente Dias Toffoli, entre 2018 e até ser nomeado ministro da Defesa de Bolsonaro em 2019.

Quando Marco Aurélio estava na ativa, o general circulava ali ao seu lado, transitando pelos mesmos corredores, sempre sob a suspeita de que Toffoli e o STF tomavam algumas decisões sob sua tutela.

Azevedo e Silva foi chamado agora pelos ministros do TSE porque a democracia está ameaçada pela insinuação repetitiva de Bolsonaro de que ele, os filhos, um jipe, um cabo e um soldado não conseguiram atacar o Supremo, mas poderão agir contra as eleições, com apoio dos militares.

Azevedo e Silva assume com o aval dos ministros Edson Fachin e Alexandre de Moraes (que presidirão o TSE, nessa ordem, até a eleição), um cargo importante ao lado da democracia.

Bater em Azevedo e Silva, nas atuais circunstâncias, é desperdiçar munição contra um nome importante que se revela aliado das instituições e das eleições.

Quando abandonou o governo, em março, levando junto os três chefes militares, Azevedo e Silva deixou claro que não ficará ao lado de antigos colegas fardados, se o golpe for levado adiante.

O interessante é que a posição de Marco Aurélio de bater na escolha de Azevedo e Silva não tem mais nenhum seguidor entre ex-ministros do Supremo, como mostra a Folha hoje.

Marco Aurélio sempre foi surpreendente, com suas posições fora da curva e nem sempre as mais alinhadas com posturas ditas progressistas.

As esquerdas não precisam entrar nessa falsa briga, quando tudo o que Bolsonaro quer é criar mais conflitos entre os militares e fragilizar os oficiais legalistas.

O que o TSE está dizendo é: Azevedo e Silva agora é dos nossos. Outros militares da reserva poderiam fazer movimentos de apoio ao colega.

Mas devem se precaver, em silêncio, contra as reações, não dos parceiros fardados, mas das esquerdas sempre insatisfeitas.

Parte das esquerdas está sempre em busca de incomodação e de inimigos, inclusive entre aliados. Uma das diversões preferidas da esquerda é a brincadeira infantil do “eu avisei”.

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