A direita que ajuda a derrotar o fascismo, não aqui, mas em Portugal

Fracassaram os ‘analistas liberais’ brasileiros que chegaram a prever o risco real de a velha direita ser absorvida pelo fascismo em Portugal, como aconteceu no Brasil.

Foi com a ajuda de parte da direita, em reação ao extremista André Ventura, do Chega, que o candidato do Partido Socialista, António José Seguro (foto), venceu hoje de goleada os fascistas e será o presidente de Portugal. Com 65% dos votos válidos.

Com um detalhe constrangedor para o Brasil. Os brasileiros que moram lá (e têm cidadania) e são perseguidos como indesejáveis teriam votado em maioria no fascistão que odeia imigrantes.

O consolo para as esquerdas mundiais é que, com a vitória do socialista, erraram de novo os que acham que o mundo aceita qualquer versão local de Bolsonaro, como aconteceu na Argentina e no Chile.

O repórter Gian Amato, do Globo, escreveu uma reportagem, antes da eleição, com brasileiros que, mesmo admitindo perseguição, votariam no candidato da extrema direita.

Por que votam? Porque o imigrante com cidadania se acha superior aos outros. O imigrante reaça, que ficou anos à espera do direito de ser admitido legalmente no país em que decidiu morar, se considera cidadão de primeira classe. Em Portugal e em qualquer outro país.

Os outros brasileiros que enfrentam, como ele enfrentou, a rejeição e o desprezo dos xenófobos, são de outra categoria e devem se virar do jeito que for possível.

Vejam esse caso exemplar, que é assim abordado na reportagem de Gian Amato:

“Apesar de a xenofobia ter aumentado, brasileiros ignoram o fato e dizem que não se incomodam em votar no candidato anti-imigração, como é o caso da pernambucana Martina Lima Nuno.

— Não me incomoda em nada, não me afeta em nada. Fica feio para eles — disse Martina, que vive no país há 23 anos, tem cidadania, trabalha com marketing e votará no Chega:

— Eu sofro diariamente com o racismo e a xenofobia. Não respondo. Eu quero o melhor para Portugal. São pessoas que não conhecem o valor brasileiro”.

Entenderam? Sofrem diariamente com o racismo dos portugueses e votam no candidato dos racistas. Como acontece com muita gente no Brasil.

7 thoughts on “A direita que ajuda a derrotar o fascismo, não aqui, mas em Portugal”

  1. Portugal é uma república PARLAMENTARISTA. O lusitano tucano globalista que foi eleito hoje tem tantos poderes quanto o Rei Charles III da Grã-Bretanha. Ou seja, não tem poder nenhum. Quem governa Portugal é o Primeiro-Ministro e seu Gabinete.

  2. Ultimamente eu tenho gostado dos textos do Moisés! Ele está começando a se aquecer para entrar para o nosso time, o time dos que descobriram que o brasileiro é, na verdade. Um bostileiro.

    O sonho da baiana que deu essa entrevista é que um partido nacional-socialista radical vença, para que os imigrantes brasileiros sejam expulsos do país e só ela fique por lá. Se houvesse expurgo de brasileiros em Portugal, os que conseguissem ficar não sofreriam tanto com o racismo, porque passariam despercebidos. Daí a lógica dos brasileiros votando em partidos racistas.

    Nos EUA, eu não tenho a menor dúvida de que os brasileiros ligam para o ICE para entregar outros brasileiros.

    Não, isso não acontece com outros povos. Já li reportagens sobre como a comunidade Latina de língua espanhola se protege contra o ICE.

    1. Pois é, Rodrigo, vc matou a charada. Os brasileiros que estão há mais tempo em Portugal, e que já conquistaram o visto de residência, estão putos da vida com essa invasão mais recente de brazucas, e querem se ver livres dessas hordas, que lhe fazem concorrência. E nos Estados Unidos é a mesma coisa. Com certeza mesmo são os brazucas mais antigos denunciando ao ICE os brazucas mais recentes. Brasileiro é o povinho mais individualista do planeta, só querem se dar bem, e que seus compatriotas se danem.

      1. Tive uma experiência, como estudante, de ficar um tempo no exterior. Toda vez que eu me aproximava de um brasileiro, eu era ignorado, ou até maltratado. Eu tentava puxar assunto, saber de onde a pessoa vinha, achando que eu estava conversando com um “irmão da minha terra”.

        Um dos brasileiros que morava na república onde eu me hospedei chegou a cortar o aquecedor da casa, quando ele soube que só eu ficaria no local sozinho num determinado sábado. Como ele morava no país, ele sabia como funcionava a engrenagem complicada do sistema de aquecimento.

        Fui muito bem tratado e acolhido por povos de outros países. Fiz amizades com as pessoas que aqui no Brasil são chamadas de “frias” e “infelizes”. Lá eu percebi que é totalmente o contrário!

        Para dizer que nem tudo foi um desastre com meus “compatriotas”, fiz amizade com um gaúcho que chegou depois de mim, tranquilão, nascido no interior. Ele entendia muito bem sobre como o Bostil funciona. Uma vez estávamos num trem impecável e ele soltou:

        _ Se tivesse um metrô assim em Porto Alegre, seria destruído em pouco tempo.

        Eu respondi:

        _ No Rio Grande do Sul? Não! Isso é coisa de São Paulo.

        _ Sim, no Sul, a diferença é que no Sul o povo copera mais com o outro.

        _ Como assim?

        _ Em SP o cara quebra sozinho, em Porto Alegre o guri diz: “tá quebrando aí, tchê! Pera aí que eu te ajudo!”

        Soltei uma gargalhada e tive dor de barriga de tanto rir.

  3. É qustão de ‘xucrismo’. A direita lá não xucra como a daqui. e a daque que não é xucra é minoria que foi absorvida pela xucra. Deveria existir o verbo ‘xucrar.

  4. O problema da chamada direita democrática no Brasil é que eles precisam dos votos do bolsonaro. Mas como se borram de medo do fritador de hamburguer, ficam na moita.

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