A direita que teme se olhar no espelho

Nunca vi e pouco ouvi falar de Plínio Zalewski até a morte do coordenador do plano de governo de Sebastião Melo à prefeitura de Porto Alegre.
Li na coluna de Rosane de Oliveira, na Zero online, que ele estava sob ameaça de processo do homem-que-anda porque teria dito nas redes sociais, entre outras coisas, que o candidato fez ou faz parte da chamada bancada da bala no Congresso (que apoia a indústria de armas e munições).
A juíza da 9ª vara cível, Viviane Souto Sant’Anna, despachou, em resposta à alegação do candidato (de que estava sendo caluniado), que Zalewski não havia cometido nenhum crime.
Comento o assunto porque essa seria uma das controvérsias em torno da morte do coordenador do projeto do peemedebista. Que ele estaria abalado pelos processos. Mas eu não seria irresponsável a ponto de tentar estabelecer, sem maiores informações, uma conexão entre um caso e outro.
O que a tragédia acaba expondo, indiretamente, é que alguns políticos de direita continuam não gostando de ser identificados como tal. Era só o que faltava o homem-que-anda querer processar todo mundo que o enquadra como o novo nome da velha direita.
Não há injúria nisso, como não nenhuma injúria se alguém disser que Marcelo Freixo é o candidato das esquerdas no Rio.
O que a direita tem que fazer é assumir-se como tal, como a esquerda faz, sem se desviar pelo caminho manjado de que não tem ideologias ou partidos.
O candidato-que-anda é, sim, a aposta do ultraconservadorismo, e repito que não há nada de injurioso nisso. Há apenas verdade.
Ainda bem que, num país de tantos Judiciários (na definição da ministra Cármen Lúcia), temos juízas que nos asseguram o direito de expressão, desde que isso não caracterize crime.
As direitas que não se assumem como tal é que ofendem os próprios correligionários que as sustentam.

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