A EXTREMA DIREITA ESTÁ VIVA

São apenas dois anos desde o início das manifestações de rua no Chile. Os jovens conquistaram para o país o direito a uma Constituinte com a participação de indígenas, mulheres e candidatos independentes.

O Chile avisou ao mundo que a democracia estava viva e forte. A bravura custou centenas de prisões, torturas, perseguições. Mais de 400 pessoas perderam um olho por tiros de bala de borracha.

Em dois anos, num roteiro de terror, os chilenos enterraram a era pinochetista e a Constituição da ditadura e podem agora ressuscitar o pinochetismo.

Por quê? Porque, entre tantas outras coisas, a destruição do centro-direita de Sebastián Piñera empurrou os desamparados para a extrema direita.

Como ocorreu no Brasil, onde a desintegração do PSDB desamparou os ricos e a classe média ressentida e gerou Bolsonaro.

Por isso é fácil entender por que Eduardo Leite representa hoje a extrema direita tucana nas prévias do partido.

Por que um pré-candidato que parece ser de centro, apenas parece, é ne verdade mais um com fortes vínculos com o ultraconservadorismo e com o bolsonarismo? Porque todos correm em direção à extrema direita, como acontece em quase toda a América Latina.

A terceira via não existe nem aqui, nem no Chile, na Argentina, no Paraguai, na Bolívia, no Peru. O que há é a esquerda em duelo de vida e morte com a extrema direita.

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GUEDES TINHA CONTA SECRETA PORQUE TEMIA MORRER
É a versão esdrúxula apresentada pelo sujeito, agora, em depoimento à Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara, que o convocou para que esclareça suas movimentações financeiras em paraíso fiscal.

Compartilho o início do texto da Folha. Seria risível, se não fosse grotesco:

O ministro Paulo Guedes admitiu nesta terça-feira que enviou recursos para sua empresa sediada em paraíso fiscal para escapar de impostos cobrados nos Estados Unidos. A estratégia também evita tributos no Brasil.

Segundo o ministro, o envio dos recursos à empresa foi feito entre 2014 e 2015 para investimento em ações americanas. Guedes afirmou que recebeu na época a sugestão de conselheiros, como uma forma de evitar os tributos nos Estados Unidos no caso de sua morte.

A legislação americana taxa em quase 50% os recursos de pessoas que morreram no momento da transição do patrimônio para os herdeiros. No Brasil, os estados fazem cobrança parecida por meio do ITCMD (Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação) –que chega a até 8%.

“Se você tiver uma ação no nome da pessoa física e falecer, 46% é expropriado pelo governo americano […]. Então, se você usar offshore, você pode fazer esse investimento. Se você morrer, em vez de ir para o governo americano, vai para a sucessão”, disse.

E os outros que tinham contas secretas, para não pagar impostos, também temiam ser tributados depois de mortos?

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