A família do presidiário ganha proteção das corporações de mídia

Se forem propagar de novo, como alguns vêm tentando, tudo o que se acumulou nos prontuários policial e judicial da família Bolsonaro, os adversários políticos de Flávio terão um acervo quase infinito. Sem incluir o prontuário moral, principalmente do pai.

Mas isso significaria o quê? Pode significar apenas que quase todas as questões postas sobre desmandos da família, na área criminal, continuam em aberto. Mas o dano político da exposição desses podres poderia ficar próximo do zero, porque as abordagens não teriam o suporte da grande mídia.

É uma constatação incômoda para as esquerdas. As grandes corporações continuam escolhendo as pautas da política, com a reorientação de condutas para o novo lavajatismo descarado. E os Bolsonaros não são mais pauta prioritária.

Mesmo que até os jornalões decidissem recuperar os rolos dos Bolsonaros, pergunta-se: que impacto Globo, Folha e Estadão provocariam se fizessem com Flávio o que fazem com Lula, Lulinha e Alexandre de Moraes?

Nunca saberemos. Porque o passado do filho ungido foi esquecido pelos jornalões. Flávio já foi naturalizado. O candidato, que já é de toda a direita, deverá calibrar fala e atitudes, porque daqui a pouco será considerado moderado demais.

Pensadores liberais o apresentam como um genuíno liberal. Flávio tenta se aproximar de gays, dos barracões das escolas de samba, dos negros e dos ativistas pelos direitos humanos.

Ninguém mais fala do passado da família, dos crimes na pandemia (Flávio ainda é investigado com o pai), das conexões com milicianos, das rachadinhas (investigações engavetadas), de Fabrício Queiroz, da mansão de R$ 6 milhões.

A velha direita e o liberalismo brasileiro, ou o que sobrou dela e dele, estão chamando Flávio para a sala. Entre e sente-se, como um dos nossos, é o que dizem. Não queremos saber mais nada do que seu pai presidiário fez no poder e se recebeu R$ 3 milhões de Daniel Vorcaro.

Flávio está ouvindo esses recados, passados das mais variadas formas. E, nesse ambiente, o que poderia ser exposto de novo, do histórico de crimes da família, acaba sendo abafado.

Os jornalões avisam à velha direita para que tape o nariz e normalize Flávio. Esqueçam o que deu errado a partir de 2018, quando a criatura assumiu o controle da situação, e apostem num herdeiro adaptável.

As corporações desistiram de continuar procurando o que não existe mais e que nunca será representado nem por Zema, nem por Ratinho e muito menos por Eduardo Leite. Não existe mais alguém parecido nem mesmo com o Afif Domingos de 1989.

Até porque nem o Afif de hoje é o Afif daquele tempo, que teve mais votos (4,84%) do que Ulysses, Roberto Freire, Aureliano Chaves. Flávio impõe-se como o adversário de Lula e é preciso acolhê-lo como tal.

Assim, tudo o que se sabe dele e da família, das coisas irresolvidas, de questões que poderiam representar algum abalo de ordem ética e de valores, nada disso serve hoje para quase nada. Porque a pauta dos jornalões é centrada em vazamentos que favoreçam a direita e abalem Lula.

Flávio não será confrontado com seu passado e nem terá a exposição de suas fraquezas, em especial os vínculos com as milícias, porque o filho que interessa hoje é o de Lula. De vez em quando, publicam alguma coisa sobre a família, para fazer engambelação.

O que prevalece é a busca de acréscimos ao enxoval da roupa nova do sujeito. Espalha-se como verdade que nem o golpe ele queria na eleição de 2022 e já com Lula eleito. Toda a família queria, menos ele.

Chegamos ao ponto em que o Estadão chegou a defender na capa que uma mulher seja escolhida já para o Ministério da Fazenda do novo moderado, para que ele fique mais feminino.

Flávio tem muitas faces e, dependendo de quem olha, pode ser o mais burro, o mais esperto, o mais empreendedor, o mais negociador e sedutor e até o mais perigoso de todos eles. Há um incentivo ao debate sobre o que ele possa ser, para que prevaleçam as falsas controvérsias.

Mas os podres da família não irão aparecer. Porque Globo, Folha, Estadão e todas as estruturas da direita antiga fazem agora o jogo da nova extrema direita. A velha direita parou de espernear e se entregou às pautas do bolsonarismo.

5 thoughts on “A família do presidiário ganha proteção das corporações de mídia

  1. Moisés, o Bolsonaro saiu do poder tem um tempinho já. E jornais, também conhecidos como “diários”, costumam noticiar fatos do presente, não é verdade?

    Não tem sentido a Folha ir atrás do Queiroga para perguntar sobre vacina; também não tem mais como o Estadão investigar o núcleo duro do suposto golpe de Estado, porque todos os que participaram da tentativa de golpe, inclusive o ex-presidente, estão presos. Não faz sentido mandar jornalistas investigarem golpes se até o processo sobre o golpe está encerrado.

    Jornais vivem de atualidades, Moisés.

    Agora, Moisés, você disse que a Malu Gaspar cometeu crime no caso da Viviane Barci. Até a Viviane Barci está contra suas análises, Moisés! Ela confirmou que a Malu Gaspar estava certa kkkkkkkkk

    Eh, Moisés! Tire umas férias, homem!

  2. Enquanto isso, Lula e a petralhada estão em PÂNICO, com direito a ataques histéricos, porque Marco Rubio anunciou que PCC e Comando Vermelho serão classificados nos próximos dias como ORGANIZAÇÕES TERRORISTAS. Petralha é assim, acusam os outros de “milicianos”, mas vivem passando pano para o PCC e o Comando Vermelho, sempre com diálogos “cabulosos”, né mesmo ?

    1. Aqui a burrice tomou conta. Só sendo muito burro pra achar que os Estados Unidos querem combater o narcotráfico com essa medida. Querem pretexto para invasões generalizadas em território dos outros. Isso é bem evidente até para um bolsonarista. Ou deveria. Se quisessem combater o narcotráfico começariam pelas fronteiras deles mesmos. Os EUA são um dos principais mercados de drogas do mundo.

  3. Pluripartidarismo só foi praticado na primeira eleição pós-ditadura. A partir de 94 o resumo da ópera é LULA e anti-lula. Outrora, a tucanagem exercia este papel Com a extinção daquele grupo apareceu esta coisa chamada bolsonarismo.

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