A guerra dos supremacistas: qual é o Estado mais branco, Santa Catarina ou Rio Grande do Sul?

Se Santa Catarina é o Estado mais branco do Brasil, não precisa de cotas para negros nas universidades. Se os negros e os pardos representam apenas 18,1% da população do Estado, para que servem as cotas?

É um raciocínio racista de quinta série. Mas é muito mais racista do que simplório e colegial. É o argumento do governo e da Assembleia, enviado ao Supremo, para manter a lei que acabou com as cotas raciais em Santa Catarina.

É a explicitação de uma posição que explica por que todas as notícias sobre Santa Catarina, com destaque no país, são negativas e geralmente tratam de preconceitos.

E para complicar o argumento, ficamos sabendo que governo e deputados branquearam ainda mais Santa Catarina para tentar convencer o Supremo de que as cotas devem ser extintas.

O governo diz, por sua procuradoria-geral, que 81,5% da população catarinense se declara branca. De onde tiraram isso, se o Censo de 2022 do IBGE informa que o índice de brancos é de 76,3% e o de negros e pardos é de 23,3%, e não de 18,1%?

O mesmo Censo informa que o Estado mais branco do Brasil é na verdade o Rio Grande do Sul, com 78,4%. Era o que faltava. Dois Estados sequestrados pelo fascismo debaterem a branquitude de cada um, para saber quem pode ser mais supremacista.

Santa Catarina e Rio Grande do Sul, pelos seus governos e seus deputados, deveriam disputar uma gincana para saber qual é o mais extremista, o mais racista, o mais preconceituoso, o mais xenófobo e homófobo.

Lembrando que a lei racista e inconstitucional é questionada no Tribunal de Justiça de Santa Catarina, que já concedeu liminar suspendendo sua implantação. Uma decisão para muitos surpreendente, porque o sistema de Justiça catarinense tem sido um bom suporte para a extrema direita.

Outro detalhe importante. A Secretaria de Educação do Estado havia emitido parecer no sentido de que o governador Jorginho Mello não sancionasse a lei aprovada pela Assembleia. Mello ignorou o parecer, que tem esses trechos:

“Desde a colonização, a sociedade brasileira foi estruturada pela racialização, com exploração da população negra escravizada e violência contra os povos indígenas, gerando uma hierarquia racial duradoura. O racismo no Brasil é um fenômeno estrutural e institucional”.

“A manutenção das ações afirmativas de cunho racial no estado de Santa Catarina constitui uma necessidade urgente e inadiável. O avanço dessas ações reafirma o compromisso com a Justiça social, com os direitos humanos e com a construção de uma sociedade democrática e plural”.

“Nesse contexto, a vedação às ações afirmativas afronta diretamente o comando constitucional estadual, ao impedir a adoção de instrumentos legítimos de inclusão e de superação das desigualdades históricas no acesso ao ensino superior”.

Que a secretária de Educação, Luciane Bisognin Ceretta, não sofra pressões da extrema direita pela coragem de desafiar a posição do chefe bolsonarista.

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NEONAZISTAS
Catarinenses e gaúchos poderiam tentar descobrir qual dos dois Estados tem mais células neonazistas.

Seria um indicador decisivo para a definição da liderança supremacista na região, com o Paraná correndo por fora.

9 thoughts on “A guerra dos supremacistas: qual é o Estado mais branco, Santa Catarina ou Rio Grande do Sul?

  1. Eu sou totalmente a favor da política de cotas raciais, desde que se contemple EXCLUSIVAMENTE os pretos retintos. Os pardos ou mulatos claros deveriam ser excluídos das cotas. A grande realidade é que os pardos estão tomando quase totalmente o lugar dos pretos retintos. Aqui em São Paulo é muito fácil de constatar: nas ruas, no metrô, nos trens, as pessoas aparentemente mais pobres pela aparência, pelas roupas e calçados são os pretos retintos. Os “café-com-leite” estão sempre bem vestidos e bem calçados, e mais alegres e sorridentes, com seus celulares e fones de ouvido. Essa é uma questão que não tem sido debatida. A política de cotas em NADA está favorecendo os PRETOS RETINTOS, que são os mais pobres, sofridos e discriminados. Em compensação há AUTO-declarados negros, que são tão clarinhos, mas tão clarinhos, que têm de ser submetidos a comissões formadas por ANTROPÓLOGOS nas universidades, para descobrirem com uma lupa ALGUm traço de ancestralidade negra, provavelmente HERDADo de algum avô, avó, bisavô, bisavó. Que se faça JUSTIÇA aos PRETOS RETINTOS !

  2. As células nazistas no sul estão crescendo exponencialmente, pois grupos de ódio racial é a maneira encontrada pelos os brasileiros do Sul para dar vazão à pulsão de morte, o verdadero motor da brasilidade.

    Em outras regiões, os brasileiros dão vazão à vontade de matar de outras formas: torturando crianças, matando mulheres, brigando entre torcedores, injetando detergente/desinfetante na veia de pacientes, fazendo rituais satânicos e sacrificando animais, formando gangues de jagunços e cangaceiros, entrando para o crime organizado.

    Não há na humanidade nenhum povo como o brasileiro, no sentido de mover-se em direção à autodestruição em tempos de paz. Não há!

  3. A compulsão dos dois fascistas em serem os primeiros a dar pitaco em cada artigo do blogueiro quase sempre revela afoiteza e malabarismos verbais diante de temas que requerem empatia. Para disfarçar seu racismo, Nandinho questiona a essência da Lei de Cotas que não excluiu mulatos e cafuzos de seus critérios de tratamento da questão por razões mais que óbvias.

    Quanta balela e hipocrisia, não é mesmo, Nandinho? A tua visão sobre quem é merecedor de cotas raciais desconsidera que a miscigenação não apaga séculos de discriminação e de exclusão dos negros de todos os principais mecanismos e salvaguardas de inserção social que estão na origem da desigualdade.

    Se apenas e tão somente os ‘negros retintos’ – aí vai concentrada uma dose mortal de preconceito -, ou seja, aquelas pessoas cuja tonalidade de pele e traços físicos evidencia sua africanidade, o país não teria sua população considerada majoritariamente negra e nem a Lei teria sido aprovada com a inclusão de pardos e cafuzos entre seus critérios de compensação.

    Um filho originado de uma pessoa negra com traços acentuados de africanidade e de uma pessoa branca não passa uma borracha nas centenas de anos de sofrimento, de injúria, de desumanização, de injustiça e de apagamento da identidade e da dignidade desses povos trazidos à força de seus lugares de origem.

    1. O Neri distorceu completamente a minha análise empírica, baseada na realidade do dia a dia, na constatação das ruas. Os pretos retintos continuam praticamente no mesmo imobilismo social de antes das leis de cotas. Não sou racista e não tem nada de racismo na minha análise. Muito pelo contrário. Estou apenas convidando as pessoas à reflexão.

    2. Fez sentido o que o Ferdinando disse, pois os pardos não sofrem racismo, isto é um fato. Eu sou de esquerda e a favor das cotas, inclusive para os pardos, mas a opinião do Ferdinando deve ser respeitada.

      Vamos fazer alguns testes: o Daniel Vorcaro é de que cor? E o FHC? E Flavio Dino? E O Ronaldo Fenômeno? Eles já sofreram racismo?

      Ao me xingar de fascista, o Neri-Moiseiros me desumaniza e deseja o fim da minha existência, talvez em alguma das guerras não declaradas, citadas por mim aqui, que acontecem neste país de merda.

      Rotular de “fascista” cada um que não é um fanático petista é sintomaa da nazistificação brasileira dentro do petismo, aquele grupo acima do bem e do mal.

    3. Por que o Moisés monta esses perfis de homens afrescalhados para responder os comentaristas?

      “Se apenas e tão somente”

      “mecanismos e salvaguardas de inserção social”

      Caraca, Moisés!

      E o Neri Moiseiros ainda não respondeu minha pergunta.

  4. O Neri distorceu completamente a minha análise empírica, baseada na realidade do dia a dia, na constatação das ruas. Os pretos retintos continuam praticamente no mesmo imobilismo social de antes das leis de cotas. Não sou racista e não tem nada de racismo na minha análise. Muito pelo contrário. Estou apenas convidando as pessoas à reflexão.

  5. Guinho e Nandinho, a dupla de ‘sabichões’ fascistas detesta ser contrariada. Observações empíricas, desde que comprovadamente factíveis e fruto de uma boa percepção da realidade, sempre serão bem-vindas, Nandinho. Essa dos ‘cafés-com-leite’ serem ‘mais alegres e sorridentes, com seus celulares e fones de ouvido’ deve ter tido origem no teu lado piadista e de distanciamento físico e ideológico das regiões periféricas.

    Por que será que uma questão tão relevante não tem sido debatida nacionalmente, não é mesmo? E desde quando fascistas convidam as pessoas à reflexão? Quantas vezes você convidou pessoas do teu entorno e das redes sociais a refletirem sobre a conduta de alguns dos teus ídolos políticos – aquele corrupto e genocida agora preso por tentativa de golpe e ainda não julgado por outros crimes tão ou mais graves, o Milei das ‘criptomonedas’ e Trump, o xenofóbico pedófilo e possivelmente estuprador, que só está solto e se elegeu novamente para se tornar uma ameaça mundial por causa da suprema corte estadunidense (aquela mesma instância que por aqui vocês querem acabar porque momentaneamente contraria os interesses da extrema direita) fechar os olhos para seus crimes de antes e depois de ter assumido a presidência?

    Ao sair em tua defesa, Guinho foi ainda mais patético com sua declaração de que os pardos não sofrem racismo ou discriminação alguma. Os exemplos citados de pessoas ‘pardas’ que nunca devem ter sofrido por causa do tom de pele é outra piada. Qual a razão para que a opinião do governador de Santa Catarina não seja igualmente respeitada, não é, Guinho? Vai ver que ele também fez um convite à reflexão aos catarinenses e aos demais estados. E a desumanização é de vocês, fascistas, não parte de mim. Cada texto sem empatia e distante dos interesses dos excluídos só evidencia o desprezo dos dois pelo povo do ‘Bostil’.

    1. Alguém acha que um imbecil que escreve “Observações empíricas, desde que comprovadamente factíveis” ou, ainda, “mecanismos e salvaguardas de inserção social” tem algum tipo de empatia por “excluídos”?

      E por que eu sou fascista se sou a favor das cotas raciais? Contudo, ser a favor das cotas não me impede de observar que elas não alcançam os pretos retintos, como bem observou o Ferdinando.

      O próprio movimento negro sabe do problema do “colorismo” no Brasil. Eu mesmo, que sou pardo, nunca sofri nenhum tipo de preconceito institucional, como abordagens truculentas da polícia ou negligência durante atendimento em insituições públicas ou privadas.

      O problema do Bostil é a brasilidade, não a miséria e a exclusão social. Aqueles que fazem merdas diárias, como assassinar mulheres e torturar cães, não são os mais pobres da sociedade, muito pelo contrário.

      E eu não respeito quem escreve “mecanismos e salvaguardas”.

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