A hora dos juristas que passam pano

Agora, o debate é se eles estavam só preparando ou já executando um golpe. É bem chatinho, porque aí só os ‘especialistas’ têm lugar de fala nessa falsa controvérsia.

Há um jeito de facilitar as coisas. Os juristas de direita e simpatizantes de extrema direita vão dizer que foi apenas uma ideia discutida entre amigos civis e fardados.

E os juristas não alinhados com essa gente, mesmo que não sejam de esquerda, vão assegurar que o golpe foi pensado, planejado e executado e não deu certo.

Não tem erro. Jurista passador de pano é especialista nisso mesmo, em passar pano. Com o respaldo dos amigos da grande imprensa.

Mesmo sabendo que desde 2021, como qualquer estagiário sabe, há uma lei que configura como crime a tentativa de aplicação de golpe. Mesmo, é óbvio, que não chegue a um desfecho ou não tenha êxito.

Até porque, se Bolsonaro não tivesse se acovardado e fugido para os Estados Unidos e se o golpe tivesse dado certo, eu não estaria aqui agora escrevendo o que vocês acabaram de ler.

___________________________________________________________________________________

HUMILHADO
Mauro Cid teve a ambição de ser o chalaça de Bolsonaro e acabou virando o mandalete de Michelle.

É um dos personagens trágicos da História e já se candidata a ser o militar mais patético desde a criação do Exército.

Além de fracassado como ajudante do golpe, hoje é humilhado pelos comentários de bolsonaristas que o definem, entre outras coisas, como um coitado que nunca chegaria a general.

Num dos vídeos divulgados com depoimentos do coronel ao ministro Alexandre de Moraes, no ano passado, ele resume assim sua situação:

“Estou com 45 anos, venho da quarta geração de militares na família e estou vendo minha carreira desabar na minha frente. Amigos meus… Vou usar a expressão que gosto de usar: leproso. Não porque acham que eu fiz alguma coisa de errado, mas porque sabem que podem se prejudicar no Exército se ficarem se aproximando de mim”.

Mauro Cid foi abandonado pela família e pelo Exército. Virou um traste para a estrutura do golpe e para as Forças Armadas. Tudo porque foi serviçal demais.

6 thoughts on “A hora dos juristas que passam pano

  1. Penso diferente. Esse rapaz merece uma estátua na praça dos três poderes. Não fosse o “descuido” dele em não deletar as provas, hoje o mitolixo e a familícia estariam no poder e eu também não estaria fazendo esse comentário, meu caro Watson.

  2. “se Bolsonaro não tivesse se acovardado e fugido para os Estados Unidos e se o golpe tivesse dado certo, eu não estaria aqui agora escrevendo o que vocês acabaram de ler.”

    Os juristas vão usar as palavras do Moisés para passar pano para o Bolsonaro, pois o que o próprio Moisés fez na frase acima é declarar que o Golpe não deu certo porque o Bolsonaro não quis o golpe. O Moisés diz que se o Bolsonaro fosse corajoso, haveria golpe. Como ele se “acovardou” (que é o mesmo verbo usado pelos generais golpistas), não houve golpe.

    Tentativa de golpe seria quebrar vidraças?

    Vejam, eu sou de esquerda, sou democrata e desejo que aqueles arruaceiros fiquem 17 anos presos, por conta da destruição das obras arquitetônicas e de arte do país, mas que a acusação contra o Bolsonaro é fraca até o Moisés admite sem querer na frase acima.

  3. A mais clara evidência que bolsonaro é o cabeça do movimento golpista foi a reunião ministerial de 05 de julho de 2022. Neste encontro a pauta única foi tramar contra a continuidade democrática. Só o que eles não contavam foi que alguém gravou e vazou para o mundo.

  4. A quebradeira em Brasília foi a última tentativa de tirar o exército dos quartéis para controlar a desordem permitida pela PM da capital federal Com a ordem restabelecida, algum general tomaria o poder, tutelando o presidente recém empossado.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Website Protected by Spam Master


6 + 4 =