A IMPRENSA DAS MAQUININHAS E AS ESQUERDAS

Que jornalismo que nada. A Folha será daqui a pouco muito mais negociante de intermediação de operações com dinheiro do que produtora de informação.

A Folha é dona do PagSeguro, das maquininhas de cartão, o que mistura os negócios da família Frias com o jornalismo e outros interesses.

E agora a Globo vai entrar na briga, não pela informação, mas também por uma fatia desse mercado. Os Marinho se associaram à Stone, outro grupo de maquininhas, do multibilionário Warren Buffett.

A própria Globo está noticiando a parceria. O mercado da notícia e do entretenimento no Brasil passa a ser, para tradicionais corporações de mídia, o mercado de outras coisas.

Ampliou-se a crise da atividade e do produto que vendem. E estão morrendo (Otávio Frias Filho foi a perda mais recente) ou abandonando o negócio os representantes da última geração das famílias da grande imprensa conservadora dita liberal que acreditavam em jornalismo.

O que fica claro, nessa confusão de interesses, é que o jornalismo brasileiro pede outro formato, com outros protagonistas. Alguns já estão aí, marcando posição e construindo reputações, mas ainda é pouco.

A esquerda brasileira vê a direita dita liberal enfraquecer o próprio negócio da comunicação, fazendo a opção pela intermediação de operações financeiras, mas não há nenhum grande projeto de perfil progressista nessa área. O que há é fragmentação.

A esquerda, que ficou 13 anos no poder, perdeu a eleição achando que perdera a guerra do WhatsApp para o Carluxo. O que a esquerda perdeu foi a guerra da informação. A esquerda abandonou inclusive a classe média à própria sorte.

A abstinência de informação (uma informação de esquerda que havia sido farta e vigorosa durante a ditadura) ajudou na condução ao bolsonarismo e à multiplicação de ignorâncias.

Mas ainda há muita gente nas esquerdas achando que pode vencer a guerra com mensagens que se contraponham ao WhatsApp e ao Twitter do filho de Bolsonaro.

A esquerda brasileira também foi hipnotizada pelo bolsonarismo e arrastada para uma batalha de torpedos, ditados e palavras de ordem que nunca irá vencer. Porque a arma é apropriada à munição deles, e não às armas das esquerdas.

A guerra pela informação não é a guerra das mensagens proposta pela extrema direita. A guerra de mensagens pode ser parte de táticas, ajustadas às circunstâncias. A grande guerra estratégica é a da comunicação, e esta a esquerda abandonou há muito tempo.

(Por favor, peço mais uma vez que não apontem exceções. Não estou falando de exceções, nem de guerrilha de informação de blogs e sites, mas de comunicação pesada, como há na Argentina e no Uruguai, inclusive com TV de esquerda. Vamos tratar da realidade, não da exceção que apenas a explica e justifica.)

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