A impunidade atiça de novo o golpismo dos caminhoneiros

Os caminheiros sabem o que fazer para que o útil se junte de novo ao agradável. O útil da reação ao aumento do diesel, provocado pelas guerras do fascismo e pelas máfias da distribuição e do varejo dos combustíveis, une-se ao que interessa ao golpismo. É hora de bloquear estradas de novo.

Os caminheiros são os únicos profissionais, autônomos ou empregados, capazes de parar o país. Nenhuma greve, em nenhuma outra área, pode ameaçar a circulação de bens e a prestação de serviços.

Mas os caminhoneiros não estão sozinhos na capacidade de rearticulação, não só para reclamar benefícios e privilégios, mas para levar adiante, pela repetição, um novo projeto de golpe.

Se Andréia Sadi resgatou na Globo um powerpoint piorado de Dallagnol, muito mais infantil e colegial, por que eles não podem pensar em bloqueios de novo?

É um grupo social de golpistas impunes. Quem sabe dizer se o homem-lagartixa, que se grudou ao para-brisa de um caminhão em 2023, foi punido como bloqueador de estradas? Quem da turma dele teve punição?

Quantos inquéritos ainda continuam contra os que tentaram impedir a posse de Lula? A impunidade predomina entre autônomos e entre empresários empregadores das maiores transportadoras. Ninguém se lembra que Mário Luft, dono de uma das gigantes do transporte no país, sofreu busca e apreensão.

Foi em 24 de janeiro de 2026. Mas não por envolvimento nos bloqueios, e sim por suspeita de ter financiado o transporte dos que invadiram Brasília no 8 de janeiro de 2023. Não há colegas de Luft, com nomes e marcas conhecidas ou desconhecidas, indiciados até hoje.

Os grandes financiadores dos acampamentos (não seus laranjas que passavam adiante o dinheiro miúdo) e dos bloqueios estão impunes. Para repetir uma frase que se repete desde o início do governo Lula: as estruturas do golpismo estão intactas. E continuam financiando as facções da extrema direita.

Os caminhoneiros impunes, que ameaçam parar de novo, podem trazer de volta, e com protagonismo, o homem-lagartixa de Pernambuco e seus parceiros de agitação, sabotagem e conspiração. Não desprezem a possibilidade de ver as mesmas figuras liderando os mesmos caminhoneiros.

Enquanto isso, continuam impunes os investigados nos inquéritos das fake news, dos crimes da pandemia e de todos os delitos cometidos por alguma motivação bolsonarista.

Líderes e quadros de todos os níveis do golpismo atuam em todo o país, em especial nos Estados do Sul, aguardando a reversão de expectativas no cenário político. O que mais se ouve no interiorzão é: nós voltaremos.

Os caminhoneiros estão prontos para voltar, com o mesmo suporte de patrões endinheirados e até hoje inalcançáveis. A punição dos líderes do golpe não chegou aos agrupamentos intermediários, que também tinham e ainda têm voz de comando.

Não resolve argumentar com essa gente que seus inspiradores determinaram ou apoiaram a desmontagem da distribuição de combustíveis no Brasil. E que a guerra é provocada por ações do fascismo americano admirado pelo fascismo brasileiro.

O extremismo impune não quer saber de explicações. O que o bolsonarismo quer é confusão às vésperas da eleição, em áreas decisivas para a definição dos humores do país. E com a ajuda do powerpoint de Andréia Sadi.

A fúria anti-Lula retoma e aperfeiçoa os métodos de 2022 e 2023, para que desta vez não voltem a falhar.

One thought on “A impunidade atiça de novo o golpismo dos caminhoneiros

  1. O problema desta vez é que será mais difícil colar no GOVBR a culpa pela falta de diesel. A figura de trump largando bombas no Irã será difícil de escamotear da opinião pública. E, desta vez, não haverá governo para dar mesada aos caminhoneiros parados nas estradas.

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