A marcha dos jovens e a política

Foi bom ver pessoas sentadas na grama, no encontro de sábado à tarde na Redenção com a deputada Maria do Rosário, a socióloga Reginete Bispo, o advogado Werner Becker e a vereadora Sofia Cavedon (as fotos são do Ricardo Stricher).

Falamos das possibilidades da resistência ao golpe e à prisão de Lula, do aparelhamento da imprensa e do Judiciário, da disseminação de ódio, da construção de uma rede de comunicação progressista e da necessidade de seperseverar com as esperanças.

O interessante é que acontecia ao lado da aula pública organizada por Maria do Rosário, perto do Monumento ao Expedicionário, o grande encontro de uma maioria de jovens em defesa da descriminalização da maconha.

Pouco antes do início da caminhada da Marcha da Maconha, Reginete Bispo lembrou que o Brasil comete violências contra os negros, como herança do regime escravocrata, não só por discriminação racial, mas como perversão da permanente luta de classes.

E quando a Marcha se mexeu em direção ao chafariz, Maria do Rosário estava falando da perda de espaço das esquerdas no Congresso, na eleição anterior, e da ameaça que isso representa mais uma vez este ano. O reacionarismo pretende se apropriar por completo do Congresso.

E a imensa Marcha então se movimentou, passando ao lado da aula pública, como se ao acaso um evento complementasse o outro.

Sem um Congresso de esquerda ou, se quiserem, sem fortes bancadas progressistas, não há nada que possa ser feito pelos que lutam não só pelas liberdades e contra a caçada a pobres e negros transformados em alvos do que a direita chama genericamente de “guerra ao tráfico”.

Sem partidos e sem o exercício da política nos redutos com poder de decisão, não haverá democracia, e os movimentos sociais continuarão sendo perseguidos pela polícia e criminalizados pela rede de instituições que deveria protegê-los.

As mudanças que os jovens pretendem passam antes pelas vontades, pelas restrições e pelos interesses do Congresso. E o Congresso hoje não tem vontade nenhuma de fazer os avanços que os jovens desejam. Esse é o Congresso que derrubou Dilma e protegeu o jaburu e Aécio.

Sem as esquerdas na Câmara e no Senado, adióis descriminalização da maconha. Poderão realizar centenas de marchas, cantar, como cantaram hoje, e depois marchar. Mas nada será mudado.

A polícia continuará batendo e prendendo pobres, o Ministério Público continuará acusando e a Justiça continuará condenando. Somente os pobres e negros.

Mas ficarão imunes e impunes à perseguição e à violência, entre outros protegidos pela estrutura de repressão, os grandes traficantes e consumidores de cocaína que circularem de helicóptero. Estes não participam da Marcha da Maconha. Os jovens sabem muito bem disso.

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