A OAB DE RAYMUNDO FAORO

Minha amiga Glaci Borges é uma das perguntadoras do FaceBook desde o que aconteceu ontem: onde se meteu a OAB, que nem um pio dá numa hora dessas?
E eu me lembro então que fiz uma das últimas entrevistas com Raymundo Faoro, poucos anos antes da sua morte. Falei com Faoro por telefone e publiquei duas páginas com a conversa em Zero Hora.
O maior de todos os presidentes da OAB, protagonista da resistência à ditadura, já estava doente. Mas me lembro de um detalhe decisivo para que identifique os homens excepcionais. Faoro fazia planos.
Seus planos passavam sempre pelo sentimento do coletivo e da defesa da democracia. Repito aqui o que já contei outras vezes: Faoro se queixava, com sua voz baixa, de nunca ter sido chamado pelas universidades para dar aulas.
Era um professor sem alunos numa sala porque não tinha títulos acadêmicos, não era doutor. Um dos maiores pensadores brasileiros, o jurista que se estivesse vivo nos ajudaria a entender as teorias do Judiciário da direita, não deu aulas formais, mas nos ensinou a fazer o bom combate.
Hoje, a Ordem cuida das suas questões corporativas e eventualmente manda algum recado pretensamente legalista (e só ataca o jaburu, sem nenhuma originalidade e relevância) pelo Jornal Nacional.
A OAB, minha amiga Glaci Borges, tenta viver do que foi nos tempos sombrios do golpe pós-64. 
O golpe de hoje e suas aberrações ‘jurídicas’ parecem não incomodar muito as lideranças da OAB.

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