A PANDEMIA SÓ PASSA A EXISTIR PARA O ENEM DEPOIS DA MORTE DO GENERAL

Há um apelo nacional pelo adiamento do Enem, e a questão foi parar na Justiça, por iniciativa da Defensoria Pública, considerando-se o absurdo de realizar provas com aglomerações inevitáveis no meio do novo pico da pandemia.

E o que diz o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), que manda no Enem? Determinou que as provas comecem domingo, de qualquer jeito, porque assim foi programado e assim deve ser.

Só que a diretoria de Avaliação da Educação Básica do Inep, que elabora no Enem, era chefiada por Carlos Roberto Pinto de Souza.

O diretor estava internado com Covid-19, enquanto o Inep negava a gravidade do novo surto e os riscos para 6 milhões de estudantes. E hoje o diretor morreu, aos 59 anos, em Curitiba.

E aí fica-se sabendo que Carlos Roberto Pinto de Souza era general. Os generais estão na Saúde, na Educação, na Anvisa, contribuindo para que o governo negue a gravidade da pandemia.

Não há como não destacar que um general chefe de uma das principais áreas do Inep, o instituto que subestima a Covid (e quer mandar os estudantes para o risco e a morte), acabou morrendo de Covid.

Mas agora o Inep, com a morte do seu diretor, pretende adiar o Enem, porque o general morreu na véspera das provas, de Covid. É um roteiro doente, maluco, macabro. Não há o que dizer. É o Brasil surtado pelo bolsonarismo.

4 thoughts on “A PANDEMIA SÓ PASSA A EXISTIR PARA O ENEM DEPOIS DA MORTE DO GENERAL

  1. Poderíamos ampliar a discussão para incluir as inúmeras aglomerações que aconteceram na entrada das provas da Fuvest e unicamp. Seguindo o mesmo argumento da defensoria pública, por que não suspenderam a prova da Fuvest, quando tivemos a mobilização de cerca de 130 mil pessoas em um novo pico da pandemia? E o estado de São Paulo não pode ser considerado um exemplo de combate à pandemia.

  2. Este apoio incondicional de alguns militares à bolsonaro vai acabar destruindo o último resquício de imagem positiva que eles ainda tinham. Todas as semanas, se não todos os dias, aparece algum general na mídia falando alguma bobagem e contribuindo um pouco mais para aumentar o caos brasileiro. se ainda fossem soldados, cabos ou sargentos ainda daria para livrar a cara dos militares e dizer que foi uma ala que fez a lambança, mas o pior problema para as forças armadas é que são generais, almirantes e marechais a puxar o trem da desgovernança. deveriam se espelhar nos irmãos do norte e não se meter em políticagem como instituição.

  3. A imagem dos militares brasileiros é superestimada. A última ação positiva fora na segunda guerra mundial. Vinte anos depois eles cometeram o descalabro de 1964. O segundo melhor desempenho foi nos trinta anos em que se recolheram aos quartéis depois de varridos pela vontade popular. Ressuscitaram para um novo golpe, para eleger um espantalho de EXtrema direita e retomar o poder para uma série de bobagens que só confirmam a incompetência dos fardados. Onde essa gente estudou que nem um militar civilizado e letrado conseguiu produzir mais?

  4. Mesmo ASSIM, apesar de também achar irresponsabilidade essas aglomerações para os vestibulares, não dá para comparar vestibular das universidades com ENEM. O ENeM atinge os mais escondidos recantos do Brasil, simultaneamente. E assim deve ser, pela isonomia. Mas é realizado e muito em salas de aula de escolas públicas que nem retornaram às aulas presenciais por falta de condições…como vão estar em condições, agora, para o ENEM. Fora a irresponsabilidade das aglomerações de final de ano, cujos resultados vão aparecer a partir de agora.
    Quando os responsáveis pela saúde pública não priorizam os cuidados, o que sobra para nós, que até agora (apesar deles) nos cuidamos ao máximo, mas seremos obrigados a expor nossos filhos ao negacionismo dos outros?!

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