A PREPOTÊNCIA DO GRÊMIO

O Grêmio decidiu treinar em Criciúma, porque não é permitido aglomerar jogadores em Porto Alegre. Se não pode treinar aqui, treina onde pode.

Não sei se os atletas e as equipes técnicas e todo o suporte de pessoal vão de avião, ônibus ou helicóptero. Não interessa.

O que importa é que o Grêmio vai fazer o que não deve. Para escapar de um protocolo estadual, o clube burla uma convenção do bom senso, presente em todas as orientações das autoridades e dos cientistas.

O Grêmio vai circular de um lado para o outro, vai transitar, vai levar o risco e a possibilidade do contágio para outro Estado. O princípio básico do isolamento é a não-circulação, é ficar onde está.

Esse não é apenas um protocolo de conduta e proteção individual, é de noção de coletivo, de respeito aos outros.

Mas o Grêmio talvez acredite que possa estar imune à peste que já infectou jogadores do próprio Grêmio, do Internacional, do Vasco, do Corinthians, do Fluminense, de quase todos os clubes.

Se o Bola Murcha Futebol Clube enchesse um ônibus de jogadores, não haveria como argumentar. O Bola Murcha seria atacado por todos os lados e teria o ônibus interceptado na saída de Porto Alegre. Mas o Grêmio pode.

O que aconteceria se não só os times de futebol – mas todos os que se sentissem no direito de deixar o Estado – atravessassem a fronteira e fossem fazer em Santa Catarina o que não podem fazer aqui?

E se a Freway fosse tomada por comboios de gaúchos em direção à Santa Catarina, só porque há como fugir dos controles estaduais?

O Grêmio e muitos clubes pensam como o comentarista Caio Ribeiro, a voz do bolsonarismo na Globo. A única voz. Sempre que ele fala em defesa da volta do futebol, leva bordoadas dos colegas, como levou ontem no Bem Amigos.

Mas o bolsonarismo precisa de gente como Caio Ribeiro para tentar apressar a volta do futebol. Bolsonaro quer o retorno dos campeonatos como sinal de que a vida voltou ao normal.

A extrema direita tem seus argumentos, e o de Grêmio é parecido, está em nota da direção. É o de que “o futebol precisa também sobreviver ao momento que é difícil para todos os segmentos da sociedade”.

É difícil para todos, mas é fácil para um clube do tamanho do Grêmio driblar controles para fazer o que Bolsonaro pede.

O clube deveria ser referência como exemplo de bom senso em meio à propagação de notícias falsas, do negacionismo e da ignorância. É também para isso que o futebol serve, para inspirar referências cidadãs.

O Grêmio que conte com quem quiser contar. Eu já estou saturado de Renato Portulappi, das posições reacionárias e da petulância de Renato.

Por isso aviso, sem prejuízo para ninguém, muito menos para o Grêmio, que a partir de hoje deixo de ser torcedor e me transformo em observador distante e contemplativo do futebol.

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A FUGA DA DIREITA
Notícia frequente nos jornais argentinos. A direita rica está fugindo para o Uruguai, assim como a direita brasileira que elegeu Bolsonaro fugiu para Portugal.

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OS ESPIÕES
Prenderam Susana Martinengo, uma das assessoras mais próximas de Mauricio Macri no seu governo, por envolvimento no esquema de espionagem montado pela direita dentro da Agência Federal de Inteligência.

6 thoughts on “A PREPOTÊNCIA DO GRÊMIO

  1. Infelizmente ainda vale, para alguns, a lei de Gerson. Caberá ao prefeito e às autoridades de Criciúma, mas principalmente à população, bloquearem o acesso da comissão técnica e dos jogadores do grêmio à cidade. De fato, Aproveitar-se de uma brecha para tirar vantagem sobre outros clubes em um momento de muito sofrimento escancara a sordidez presente em algumas pessoas, além de ser um péssimo exemplo para as novas gerações. TAMBÉM deixei de ser simpatizante do clube gaúcho.

  2. Isto é só o iníCio, se a pandemia demorAr muito, mUita gente vai querer morar, criAr a família e trabalhar nos locais com menos Casos. Não me sinto na condição de julgar estas pessoas, clubes ou empresas. Nós humanos somos assIm.

  3. É lamentável. O mundo parou, mas a arrogância dos gaúchos futebolistas precisa de alternativas para se “manter vivo”. Hoje o Senhor Presidente do Inter saiu na foto com o que temos de presidente. Foi pedir bexiga. Parece que a pandemia não está servindo para chamar a atenção de aspectos éticos, que são muito mais importantes que a economia ou clubes de futebol.

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