A PROCURADORA E A TRANSPARÊNCIA NOTURNA

A procuradora-geral Raquel Dodge, que exige transparência do desembargador Rogério Favreto, fez uma famosa visita noturna ao jaburu, uma visita secreta, fora da agenda, no dia 8 de agosto do ano passado.

Foi ao Palácio do Jaburu tarde da noite (na foto com a reprodução do vídeo), sem avisar ninguém, e não ao Palácio do Planalto e durante o dia. Teve o azar de ter sido flagrada pelo cinegrafista Wilson de Souza, da Globo, e ficou quieta.

Cinco dias depois (CINCO DIAS!!!), no dia 13, com a pressa característica de alguns que se dedicam a fazer justiça no Brasil, sejam eles do Judiciário ou do Ministério Público, emitiu uma nota dizendo que havia tratado de questões “institucionais”.

Registre-se que Raquel Dodge ainda não havia assumido o cargo em substituição a Rodrigo Janot.

Leiam a explicação que ela deu. Que foi alertar o jaburu de que deveria tomar posse no dia 18 de setembro, porque no dia 19 o jaburu viajaria aos Estados Unidos e o cargo na PGR, com a saída de Janot dia 17, poderia ficar vago.

Imaginem a cena. A futura procuradora-geral da República vai ao encontro de um denunciado por formação de quadrilha (pela Procuradoria que ela iria comandar), para alertá-lo, com um mês de antecedência, para um detalhe de agenda.

Quantos assessores devem cuidar da agenda do jaburu? Alguém pode acreditar que Raquel Dodge deveria mesmo sair de casa à noite, para alertar o jaburu de que sua posse deveria ser em tal data?

E assim ela teria sido recebida, fora da agenda, para alertar o jaburu sobre um detalhe de agenda. Por que à noite? Por que no Palácio do Jaburu? Por que não avisou ninguém?

Ela, e não por ordem dele, teria então tomado a iniciativa de ir ao encontro do jaburu? Por que às 22h?

No dia seguinte, depois deter sido flagrada, e não antes do encontro, Raquel informou Rodrigo Janot de que havia feito uma visita fora de hora ao jaburu.

Por que a transparência que ela pede agora ao desembargador Favreto não esteve presente naquele encontro secreto que repercutiu até na mídia aliada do golpe?

Todo mundo sabe, até as emas do Palácio do Jaburu, que Raquel Dodge caiu numa armadilha que só os afoitos não percebem.

O jaburu a chamou tarde da noite para tentar mostrar que encontros como aquele eram comuns. Se ele se encontrava com a futura procuradora-geral quase à meia-noite, poderia se encontrar também com Gilmar Mendes ou com Joesley Batista, o pagador da mesada de Eduardo Cunha.

Mas Raquel Dodge estava mesmo preocupada porque o cargo poderia ficar vago por dois dias. O que aconteceria se a PGR ficasse sem titular por dois dias?

Que deliberação relevante saiu da caneta de Raquel Dodge, durante quase um ano, desde que ela assumiu o comando da PGR, no dia 18 de setembro? A tentativa de enquadrar Rogério Favreto?

Quem souber, que informe aqui.

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