A sinceridade e as calcinhas

O juiz Sergio Moro admitiu numa boa, sem fazer volteios, que pega o auxílio-moradia porque não recebe aumento há dois anos, mesmo ganhando mais de R$ 30 mil por mês.

É uma desculpa ofensiva à maioria do povo, porque acaba admitindo que o auxílio não é para moradia nenhuma, pois ele tem onde morar.

A filha de Roberto Jefferson, a quase ministra do Trabalho, Cristiane Brasil, fez uma reunião com servidores públicos, quando era secretária do Envelhecimento Saudável no Rio, e deu uma aula de como buscar votos.

Recomendou que eles deveriam, na briga por um voto, dizer para as suas mulheres: vamos nos virar para que a minha chefa se eleja, eu tenha emprego, ganhe dinheiro e possa pagar as tuas calcinhas. Cristiane lançou um modelo de chantagem, ou a teoria das calcinhas. Deve funcionar.

Qual é a semelhança entre os dois, o juiz e a moça? A sinceridade. Moro admite que pega o dinheiro com uma desculpa que nenhum operário poderia usar, ou seria enquadrado por apropriação indébita. Mas o juiz pode.

E qual seria a diferença entre o juiz e a filha de Jefferson? Não, não são as calcinhas.

A diferença fundamental é que a moça depende dos votos. Sem votos, ela não é nada, muito menos candidata a ministra. Será apenas a filha do Jefferson.

Cristiane poderá ser pulverizada politicamente na próxima eleição. Talvez nem seja, talvez tenha recorde de votos. Mas a democracia permite que o eleitor se livre de gente como Cristiane Brasil.

E o juiz? O juiz, não. O juiz tem função vitalícia, independe de votos. O juiz estará mandando prender preventivamente, ouvindo delações que quer ouvir, determinando conduções coercitivas, grampeando quem quiser grampear (inclusive presidente da República) até se aposentar. Ninguém pode mexer com o juiz.

O único que passou um pito no juiz (sem qualquer consequência) foi o ministro Teori Zavascki. E Teori está morto. Nenhum vivo mexe com o juiz.

Ah, mas tem a corregedoria da Justiça. Ah, bom. Quem quiser que acredite na corregedoria. Eu prefiro acreditar na teoria das calcinhas.

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