A velha direita já entubou: Tarcísio é o candidato da Globo e de Malafaia
Os dilemas em torno de Tarcísio de Freitas produzem uma situação inédita desde a ascensão do neofascismo brasileiro em 2018. Tarcísio pode ser o candidato de 2026 da velha direita e da nova extrema direita, juntando Globo, a família Bolsonaro, Kassab, Faria Lima, Valdemar Costa Neto, o agro pop, Nikolas e Malafaia.
O Datafolha melhorou a performance do governador na pesquisa mais recente, com diferença de apenas um ponto para Lula num segundo turno, de 43% a 42%, e quase tirou Michelle do jogo. Pesquisas são anabolizantes na hora certa.
Mas, com os cenários e os ingredientes de hoje, com poucas alterações no que é essencial, Tarcísio correria o risco de deixar o governo em abril para enfrentar Lula em 2026?
Em abril, Bolsonaro estará preso, o que já está precificado, sabe-se que acontecerá desde a semana passada. De dentro da cadeia, como fazem os chefes de facções, o preso pode mandar ordens a serem cumpridas por quem lhe deve obediência.
Tarcísio já disse em cima de um caminhão na Paulista que era um ninguém e que Bolsonaro apostou nele. Disse que não existe direita sem Bolsonaro. Reafirma que seu mentor, seu ídolo e seu líder é Bolsonaro. Mas é uma criatura que não passa firmeza.
Mesmo assim, quando estiver preso, sabendo que Zema, Caiado e Ratinho não são confiáveis, certo de que Michelle já está eleita senadora por Brasília e que não aguentaria o tranco de uma eleição à presidência, Bolsonaro empurrará Tarcísio para o ringue.
O tempo até abril é de quase um ano. Até lá, Tarcísio pode restar como único nome capaz de enfrentar Lula. E Globo, Folha e Estadão tentarão, daqui a abril, fingir melhor a crença de que ele talvez se desgrude de Bolsonaro e seja mesmo o extremista moderado exaltado pela Folha como o candidato com menor rejeição.
Tarcísio seria alguma coisa híbrida, um boneco playmobil com tronco de Bolsonaro, cabeça de Paulo Guedes e as outras partes do corpo com membros e parafusos de todo tipo de gente, de Valdemar, Magno Malta, boys da Faria Lima, garimpeiros da Amazônia, o que resta da elite empresarial e um pouco das almas de Olavo de Carvalho e Brilhante Ustra. Os militares não teriam grandes contribuições a dar, por falta de clima.
Tarcísio seria um pré-moldado, com vários fornecedores, aparentemente sem pé nem cabeça. A velha direita daria um jeito de fazê-lo andar e de tentar gerir sua fala e seus gestos, sem a predominância dos trejeitos de Bolsonaro. Todos participariam da montagem de um boneco bem apessoado.
É o que está se configurando. Sem outro nome forte, resta à direita acreditar que Tarcísio pode ser uma criatura gerenciável, mesmo que muito dependente do que virá a ser o bolsonarismo sem Bolsonaro.
O problema é convencer a criatura a se jogar de sunga verde do penhasco. Até por saber que o Lula da baixa aprovação como governante conduz a um engano. A aprovação ruim é um dado que não diz quase nada, sob o ponto de vista eleitoral, da sua capacidade ainda preservada de enfrentamento da direita.
O Datafolha mostra bem a separação entre a baixa aprovação momentânea e a preservação da força eleitoral de Lula. Tarcísio teria de enfrentar um Lula ameaçadoramente imbatível e se submeter na campanha às exigências de um Bolsonaro preso e de seus asseclas ainda soltos.
Teria que dizer em voz alta que, se eleito, vai assumir o governo e na primeira semana anistiar Bolsonaro, Braga Netto, Augusto Heleno e os manés que o milionário dos R$ 18 milhões do PIX chamou de malucos.
Teria que assumir compromissos até com o diabo, que há muito tempo se submete ao que o centrão determina. E teria que provar a Malafaia e a Edir Macedo que não vai andar de mãos dadas com o pessoal da Globo.
Lula, o diabo, o centrão, a anistia, o boné do Trump, o bafo na nuca dos filhos de Bolsonaro e dos que entenderão que o bolsonarismo terá voltado ao poder – esse combo estaria à espera de Tarcísio. Que sabe da sua condição como invenção de Bolsonaro sem vontades próprias. E que não ser ninguém sem Bolsonaro é seu maior problema.
Tarcísio faz com que direita e extrema direita compartilhem as mesmas aflições, porque uma depende da outra. Hoje, ele ainda é uma interrogação, assim como a obsessão sempre perseguida da terceira via.
A Folha testou vários nomes, na busca desesperada por uma alternativa, mas nada funciona, mesmo com a forçação de que até Eduardo Leite poderia enfrentar Lula.
É ruim a situação do velho antilulismo dependente do novo fascismo. Mas a grande mídia de direita indica que já entubou a escolha de Tarcísio, tapou o nariz e começa a trabalhar para o novo bolsonarismo.

Moisés, apaga que dá tempo:
“De dentro da cadeia, como fazem os chefes de facções, o preso pode mandar ordens a serem cumpridas por quem lhe deve obediência.” (MENDES, Moisés)
Imagine se o Haddad ler isso, Moisés!
E como assim Lula imbatível? Não entendi. O Lula não ganha nem do Eymael no segundo turno. Janja, INSS, Taxad acabaram com o Lula. Acorda, Moisés!
É melhor você apagar antes, Rodriguinho. O teu comentário prova quem na verdade não lê – ou se lê, nada entende – a Revista Piauí. Lá, nesta semana, está estampada a matéria ‘Ele destampou o ralo do INSS’, que, entre outras coisas, revela como, em 2022, o então ministro do Trabalho e Previdência, José Carlos de Oliveira, deu aval ao fim de uma regra que coibia a roubalheira.
Na edição de 06 de junho, a matéria ‘O assalto ao INSS que atravessou três governos’ deixa claro que os descontos indevidos dos aposentados pela gangue começou no governo do Michel ‘Traíra’ Temer, passaram intocáveis e até receberam um empurrãozinho durante o governo do tenentinho frouxo e genocida e só agora, no atual governo, quando a ganância fez a roubalheira crescer exponencialmente, o ralo foi fechado com a Operação Sem Desconto da Polícia Federal.
Ah entendi, Lupi e seus amigos eram do governo Bolsonaro.
Ok.
Neri, você é meio bobinho, por isso escreve como um barroco, para disfarçar a confusão interna. Vou explicar: fazia tempo que o governo atual, na pessoa daquele ministro horroroso, sabia que a roubalheira estava aumentando. Eu não sei se você sabe disso, mas brasileiro não consegue nem ler direito uma placa de trânsito, portanto, de nada adianta as reportagens da Piauí para o grosso do eleitorado.
Neri, você gosta mesmo de banqueiros, hein? Compra a Piauí, celebra o primeiro Oscar… Enfim, viva o capitalismo! Ele deixa o Neri muito feliz!
O Moisés não lê a Piauí, os textos são muito longos.
A única saída para a FRENTE AMPLA (o qual a Janja mandou o marido abandonar) é testar o nome de Geraldo Alckmin. Caso ele seja competitivo, o Lula já anuncia de imediato que não pretende lançar-se à reeleição, assumindo que está ruim de voto.
O problema é que o PT gosta muito do poder e não admite que surjam novos nomes que não seja o de Lula.
O poder é delicioso! Ah, as viagens, os hotéis luxuosos, os pratos sofisticados, a mídia!
Ahh, Janja, o poder é muito bom, né? Ahh!
Não, você não entendeu nada. Disse que o Moisés Mendes não lê a Piauí e ao ser confrontado com o que noticiou a revista a respeito do assunto, como de costume, escamoteia e desconversa. O que realmente interessa é quando a sangria teve início, quando teve o caminho facilitado e quando foi estancada. O resto é conversa pra boi dormir e você, que é muito mais inteligente e mais esperto do que eu, sabe muito bem disso.
O que interessa para você é isso, o que interessa para o grosso do eleitorado é quando os roubos têm aumento exponencial e quem estava no poder nesse momento.
Você é só um professor de universidade federal totalmente alheio a como pensa, percebe e sente o povo. Ou seja, não sabe nada.
Neri conversando com a Dona Maria, uma popular:
_ Eu e meu marido passou a ter uns desconto estranho em 2024. Robaro a gente, seu Neri!
_ Ah, isso começou no governo Temer.
_ Não, começou em 2024. Nunca mais voto no Lula, até o irmão dele tava no meio disso.
_ Não Dona Maria, a senhora não sabe de nada. O Lula combateu esses criminosos porque ele ama os velhinhos desse país.
_ Mas antes não tinha esses desconto, seu Neri!
_ Saiu na revista Piauí, está tudo esclarecido agora, Dona Maria. O Lula salvou os velhinhos! Ele é um herói.
_ Ah, saiu nessa revista? Tá bão, vou votar no Lula de novo.
Diferentemente desse teu diálogo distorcido, a conversa imaginária que tive com a minha amiga Maria, ‘uma popular’ segundo você, não foi tão superficial e se deu exatamente assim:
– Apareceram uns descontos estranhos na aposentadoria do Donato desde o ano passado. O seu Rodrigo, aquele cara esquisito que diz ser a favor dos pobres, mas que defende a redução da maioridade penal, botou a culpa no Lula.
– Olha, Maria, você e o Donato, que receberam o dinheirinho do Bolsa Família criado por Lula durante os três anos de desemprego que rondaram a tua família, sabem muito bem que um cabra como o presidente Lula não admitiria esse roubo. Assim que ele ficou sabendo, demitiu o ministro, exigiu apuração completa para punir todos os envolvidos e a restituição de cada centavo aos aposentados.
– É, mas o seu Rodrigo disse que um tal de Ferdinando, que é amigão dele, leu numa revista que começou em 2024 e que até o irmão do Lula está metido no meio.
– E você acha, Maria, que esse cara que não assume sua verdadeira identidade quando usa as redes sociais, que diz odiar o Brasil e todos os brasileiros, que se alia a esse tal que votou no genocida golpista que está com um pé na cadeia, tem um pingo de consideração pelos pobres e com a verdade? A coisa toda começou lá atrás, no governo Temer, Maria, e só agora foi desmascarada. A história do irmão estar metido é só mais uma das muitas inventadas para atacar Lula e também já foi desmentida.
– Eu e Donato sempre desconfiamos desse seu Rodrigo. Ô sujeitinho esquisito!
– Pois é, ele não passa de um provocadorzinho barato e desbocado, Maria, que, vira e mexe, faz uso de mentiras para chamar atenção nos ataques a Lula e ao PT. Você acredita que ele já disse que foi petista? Lá no blog do Moisés Mendes, aquele jornalista que você gosta, ele e seu amiguinho fascista costumam sempre juntar forças e já são figurinhas mais que manjadas.
– Vixe, preciso olhar minhas panelas. Não quer mesmo ficar pro almoço?
– Não, Maria, fica pra outra hora. Agora preciso entrar lá no blog do Moisés para contar direito essa história. Um abraço pra ti e o Donato, até qualquer dia!
Bom, sábado passado os petistas graúdos foram perguntados pela Folha sobre a baixa popularidade do Lula e eles responderam que isso se deve ao problema do INSS.
A população não lê a Piauí. Tente entender: como o aumento da roubalheira se deu no governo Lula, uma parte do eleitorado atribui ao governo a roubalheira inteira. É muito difícil entender isso?
Todo mundo no PT sabe disso, só o Neri precisa negar para não dar o braço a torcer.