AS CHINELAGENS DA ARAPONGAGEM

Cresce a pressão na Argentina, entre juristas e imprensa, para que Mauricio Macri conte o que sabe da estrutura de espionagem ilegal que manteve durante seu governo, com ordens emitidas de dentro da Casa Rosada. Mas vai contar o quê?

Na Colômbia, o governo de outro direitista, Iván Duque, mantinha (e talvez ainda mantenha) um grupo de arapongagem paralela para perseguir inimigos. Duque diz que não sabia de nada.

No Brasil, Bolsonaro demitiu o seu ministro da Justiça porque, entre outras desobediências, o ex-chefe da Lava-Jato se negou a criar uma estrutura ilegal de “inteligência”, que acabou sendo levada adiante por seu sucessor, André Mendonça.

A arapongagem faz parte do aparelhamento do Estado por forças militares e agentes civis do fascismo. Mas nem sempre dá certo, pelo menos quando o governo criminoso deixa o poder.

Na Argentina, a cada semana descobrem novidades sobre os grupos que agiam para Macri dentro de Agência Federal de Inteligência (AFI).

Eram espiões que perseguiam Cristina Kirchner e peronistas, em um grupo, ou promoviam ações, em outras turmas, para atemorizar e cooptar juízes.

Já se sabe que também espionavam políticos, jornalistas, religiosos, sindicalistas, líderes de ONGs de direitos humanos e quem considerassem perigosos.

Uma das revelações recentes, por delação dos próprios espiões, é sobre o uso do polígrafo, a chamada máquina da verdade, dentro da própria AFI, comandada por Gustavo Arribas.

Como os agentes do esquema ilegal desconfiavam uns dos outros, todos os subalternos (menos os chefes) eram chamados e submetidos ao teste.

E acontecia então o que se vê em filmes e séries policiais (aparece muito na série Homeland). Os arapongas se submetiam à máquina, para que fossem flagrados em possíveis mentiras.

São eles agora, em depoimentos ao Ministério Público, Congresso e à Justiça, que revelam a verdade sobre os arapongas de Macri. O que vem à tona é a chinelagem de espiões de quinta categoria.

Mensagens encontradas em celulares apreendidos provam que Macri tinha contato com assessores do seu gabinete, que enviavam ordens e recebiam informações do grupo autodenominado Super Mario Bros.

Na Colômbia, a espionagem denunciada pela imprensa era comandada de dentro do Exército. O pretexto é o de sempre: controlar a vida de possíveis terroristas das Farc.

Mas também espionavam jornalistas, políticos, militantes de organismos estrangeiros, sindicalistas.

E no Brasil? Aqui, já se sabe que o filho Eduardo, o assador de hambúrguer, enviou aos Estados Unidos um dossiê com os nomes de inimigos do governo.

E que a Secretaria de Operações Integradas, já sob o comando do ministro André Mendonça, elaborava dossiês com os nomes de servidores públicos militantes antifascistas.

O Supremo deu um para-te-quieto em Mendonça, avisando que ele não deve mais fazer isso. Mas arapongas não existem para cumprir ordens legais. Eles só existem porque são arapongas.

(Neste sábado, a partir das 15h, na TV DCM, – www.diariodocentrodomundo.com.br – o jornalista José Cássio e eu participamos de uma conversa com o jornalista brasileiro Rogério Vaz, que está em Buenos Aires, sobre os últimos acontecimentos na Argentina).

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OS ASSESSORES
Luiz Fux também será assessorado por generais, como aconteceu com Dias Toffoli durante os dois anos em que esteva na presidência do Supremo?

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O MILAGRE
Bolsonaro, seus eleitores e seus generais conseguiram. Vivemos num país em que sobra cloroquina e falta arroz.

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