AS CRUZES, O PAI E OS FASCISTAS
O que um bolsonarista fez hoje em Copacabana, arrancando as cruzes de uma homenagem-protesto fincadas na areia, é o que Bolsonaro deseja que eles façam.
Os bolsonaristas tentarão o confronto, sempre como pregadores da morte, para que uma reação enérgica ou mesmo violenta seja a justificativa para o golpe ou algo parecido.
Pois eles conseguiram, ao profanar o cemitério simbólico na areia, provocar a mais forte imagem da reação ao fascismo – a cena do homem que recoloca as cruzes de volta (foto).
O vídeo que todos compartilham é a síntese do Brasil assustado, mas não acovardado diante do avanço dos fascistas.
O homem negro não é um militante qualquer, é o pai de um jovem morto pelo coronavírus. Ele participou da homenagem às vítimas da pandemia e que é também uma crítica ao governo.
A organização Rio de Paz abriu as covas e fincou dezenas de cruzes na areia. O homem incomodado que invadiu o espaço, com jeitão de militar, estava acompanhado de uma claque.
Mas não esperava a atitude do pai agredido. “Meu filho morreu com essa merda aí. Vinte e cinco anos”, dizia o homem negro, enquanto recolocava as cruzes.
Procurei e não achei, nas muitas reportagens sobre o caso, o nome do pai que nos comove ao desafiar os bolsonaristas.
Pena que não tenha aparecido mais ninguém para ajudá-lo na tarefa de enfrentar a turba que anda de braços dados com a peste.
No link abaixo, o vídeo. O homem que arrancou as cruzes é o de óculos escuros, que está no começo do vídeo.
