AS REAÇÕES QUE NÃO SIGNIFICAM QUASE NADA

As reações aos crimes de Bolsonaro estão sempre aquém dos atos e das falas do genocida e da família dele.

Mas quem esperava que o país continuasse tão acovardado diante da sabotagem à vacinação das crianças?

O crime contra as crianças e as famílias das crianças poderia ter sido o limite, tinha tudo para ser. Mas não é, ainda não é.

E talvez Bolsonaro não tenha um limite, porque esse limite teria de ser imposto pelo país todo, pelos cidadãos, pelas reações, para muito além das instituições.

Mas Bolsonaro nos desafia e nada acontece. O Supremo dá prazo para que ele explique porque a vacinação não começa, os governadores reagem ameaçando com a vacinação sem prescrição, mas falta algo mais forte.

Falta o essencial, falta uma manifestação poderosa de coragem, não só de indignação. A indignação virou a arma retórica dos que não vão adiante e apenas se indignam.

É preciso mais, como já fizeram chilenos, peruanos, bolivianos, argentinos. Mas talvez o Brasil não tenha na sua índole essa capacidade de reagir contra a direita, apenas contra a esquerda, como aconteceu em 2016 no golpe contra Dilma.

Até porque a classe média parece ter esgotado todas as suas energias nas passeatas patéticas convocadas pela Globo para derrubar Dilma e prender Lula.

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AS CONTAS
A investigação conduzida pela Procuradoria-Geral da República, com aval do TCU, sobre o dinheiro que Sergio Moro recebeu da consultoria americana Alvarez & Marsal, durante um ano, vai considerar a hipótese de que o juiz pode ter conta no Exterior?

Teremos mais adiante sindicâncias, como fizeram com Lula e Dilma, para saber se o ex-juiz suspeito manteve ou mantém dinheiro guardado em algum paraíso fiscal?

De Lula e Dilma nunca acharam nada. Mas Moro se garante a ponto de afirmar que não tem dinheiro lá fora? Até agora, que eu saiba, não afirmou nada.

Deveria informar, antes mesmo que alguém faça a pergunta.

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CONFISSÃO ESCONDIDA
Sergio Moro, o ex-juiz suspeito, admitiu ontem, em entrevista que a Lava-Jato existiu para combater o PT.

Para relembrar, leiam o que ele disse a uma rádio de Mato Grosso, ao falar sobre o bolsonarismo, do qual ele fez parte como empregado de Bolsonaro:

“Tudo isso por medo do quê? Do PT? Não. Tem gente que combateu o PT na história de uma maneira muito mais efetiva, muito mais eficaz, a Lava-Jato”.

Procurem essa declaração em algum jornal da grande imprensa. Só a Folha deu, e deu bem, na capa da versão online.

Os outros escondem a notícia, porque daqui a pouco ninguém vai se lembrar da confissão do sujeito.

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OS DÓLARES
Agora está resolvido. Notícia na capa da Folha:

Bolsonaro sanciona projeto que abre caminho para contas de pessoas físicas em dólar no Brasil.

O texto publicado no Diário Oficial da União nesta quinta-feira abre caminho para que pessoas físicas tenham contas bancárias em moedas estrangeiras, como o dólar ou o euro.

Seu Mércio viaja daqui a pouco aos Estados Unidos, onde vai buscar os dólares de uma prima no Texas.

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MODELO
Um dos principais focos de organizações nazistas descobertos pela Operação Bergon, da Polícia Civil, estava no Rio Grande do Sul.

O homem que ameaçou de morte os técnicos da Anvisa, porque aprovaram a vacinação de crianças, também é nazista e do Rio Grande Sul.

Os vereadores da Câmara que elegeu sumariamente a vereadora Iasmin Roloff Rutz para uma vice-presidência, “só para embelezar a mesa”, são de Canguçu, claro que no Rio Grande do Sul.

O único Estado que tem um pré-candidato a governador declaradamente racista e homófobo (e aliado do governador) é o Rio Grande do Sul.

O cometa pode nos ameaçar, mas continuamos, como diz o hino gaudério, sendo modelo a toda Terra.

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O FIM
Antecipo que este é um texto de humor, nesses tempos em que quase tudo precisa de explicação.
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Pais, filhos, tios, sobrinhos, primas, avós, muita gente de famílias divididas pela política, mas que vinham se reconciliando aos poucos, está se dividindo de novo.

Dividiram-se no golpe de 2016, depois foram apartadas ainda mais pela eleição de Bolsonaro, depois pela cloroquina, mais tarde pela vacina, até começarem o lento caminho de volta para a reconciliação.

Mas aí apareceu esse filme do cometa com o Di Caprio, o “Não olhe para cima”, e as divisões foram retomadas. Os Silveiras, da Aberta dos Morros, na zona sul de Porto Alegre, estão rachados bem ao meio.

É um caso exemplar. Metade da família, que é enorme, gostou do que viu e passou a chamar de “filme do Carluxo”, e a outra metade odiou.

A metade que odiou diz que é uma imitação grosseira de filmes que chamavam de comédia burlesca, de pastelão e de besteirol e que hoje chamam de distopia.

A metade que gostou diz que é o humor trágico possível hoje, simples, direto, sem sutilezas, desses tempos que vivemos em que tudo é simplificado. É assim ou ninguém entende nada.

Tem ainda nos Silveiras um terço da família que não viu o filme, mas odeia o que não viu, porque esse terço ficou brabo com quem viu e saiu contando detalhes.

“Não olhe para cima” criou conflitos que parecem irreversíveis. A divisão entre bolsonaristas e não-bolsonaristas não é nada perto do que está acontecendo.

E dizem que tem continuação, porque (atenção que tem spoiler) há sobrevivente e todos sabemos de quem se trata.

A continuação pode cumprir uma previsão que já estava nos algoritmos de Nostradamus e poucos notaram.

A Netflix seria a bomba atômica que acabaria com o mundo com filmes de mais de três horas de duração.

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