BANDEIRAS, BANDEIRAS, BANDEIRAS

Não tenham medo das bandeiras. Os que embarcaram na rejeição às bandeiras, a partir de 2013, participaram das passeatas mais tristes de todos os tempos.

Nada era mais triste do que as caminhadas que antecederam o golpe de agosto de 2016. Multidões se arrastavam pelas ruas com os olhos no chão. Sem bandeiras, porque a Globo assim determinou. Algumas com balões brancos.

Mas a maioria apenas com seus celulares, que as mantinha entretidas enquanto se arrastavam. Eu vi e lembro bem.

A direita odeia bandeiras de partidos, de arco-íris, de sindicatos. A direita induziu as esquerdas a abandonarem suas bandeiras, a partir de 2013, e deu no que deu.

É bom que o movimento das mulheres esteja livre dessa ameaça, como garantiu hoje aqui nesse perfil a Cintia Jardim, que participa da organização do ato de sábado na Redenção.

O movimento contra o ogro é suprapartidário. Não é apartidário, nem poderia ser, como muitos pretendiam que fosse. Gosto dessa frase da Cintia:

“Achamos importante e estamos estimulando que todos contra o coiso levem suas bandeiras para a Redenção a fim de demonstrarmos a força da democracia e a representatividade que esse movimento tem”.

É isso. O sujeito deve ser confrontado por ações políticas. E ações políticas desse porte ainda dependem dos partidos, dos movimentos organizados e de suas bandeiras.

Não há manifestações de massa nas ruas sem bandeiras, nem aqui nem na Bulgária.

As organizadoras do movimento não embarcaram nos balões brancos da Globo. Nunca cairiam na armadilha da tentação de transformar um ato essencialmente de resistência num passeio com balões brancos.

O ato de sábado não é uma festa de fim de ano da Globo. Façam como prometeram aqui Nuxa Fagundes, Rosangela Kisiolar Machado, Fá Fleck, Bernadete Prunes, Cida Cunha, Eugenia Wagner, Raquel Leães, Fran Von e Araeci Luz. Levem suas bandeiras.

Bandeiras dos partidos, dos candidatos, das centrais sindicais, dos movimentos LGBT, das vadias, dos vadios. Transformem o ato de sábado na grande festa da volta das bandeiras contra o fascismo declarado ou dissimulado.

Não tenham medo das bandeiras. E não tenham medo dos que pedem que para que vocês não levem bandeiras.

Tirem as bandeiras dos armários. Levem cartazes, banners e bandeiras amarelas, vermelhas, azuis, brancas, verdes, pretas, mas levem.

Façam o que a Cintia está pedindo: encham a Redenção de bandeiras. Se estiver muito quente, descansem à sombra das bandeiras.

 

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