BOLSONARO É UM HOMEM AVULSO

Ninguém que possa ser reconhecido por alguma relevância política aparece ao lado de Bolsonaro, nas suas excursões criminosas pelas ruas de Brasília.

Bolsonaro é sempre um solitário ao desafiar os apelos das autoridades mundiais da área da saúde para que sejam evitadas aglomerações.

Isolado, o que mais ele busca é o apoio dos ajuntamentos programados. Mas é um homem avulso, sozinho.

Nunca em tempo algum um líder político andou assim pelas ruas, sem o suporte de apoiadores e assessores, sem ninguém dos que deveriam estar ao seu lado para aparecer na foto.

Não há um político, um só, nem da extrema direita mais fascista, disposto a correr o risco de aparecer ao lado de Bolsonaro.

Ele está sempre cercado por homens de óculos escuros. Bolsonaro só tem seguranças no seu entorno.

Bolsonaro não tem partido. Perdeu o PSL na briga pelo controle do dinheiro. Tentou criar uma sigla para a família e não consegue arrecadar assinaturas suficientes.

Bolsonaro não tem governo. O governo que deveria ser dele é controlado há muito tempo pelos militares.

Bolsonaro não tem aliados nos quais possa confiar. Toda a sua base no Congresso se esfarelou. E políticos que davam lastro aos seus desatinos se afastaram dele e viraram inimigos.

Bolsonaro não tem mais nem subalternos de confiança. Onyx Lorenzoni, que seria um deles, disse na conversa vazada com Osmar Terra que, se fosse presidente, Mandetta já teria sido mandado embora. Onyx chamou o chefe de frouxo.

Bolsonaro não tem claque popular capaz de sustentá-lo com um mínimo de emoção nas ruas. O apoio, no roteiro muito bem estudado das aglomerações, na farmácia, na padaria, é encabulado, constrangido.

Não tem nem o aplauso compulsório da grande imprensa, que sempre apoiou governos de direita, patrocinou o golpe de agosto de 2016 contra Dilma e ajudou a inventá-lo.

Bolsonaro só tem hoje a fidelidade dos filhos. Se perder, por conflitos familiares, o apoio dos três filhos, nada mais irá sobrar de confiança e afeto do mundo da política ao homem sozinho.

Bolsonaro sobrevive como chefe de um governo paralelo, que só existe na sua cabeça, porque ninguém mais presta atenção no que ele faz ou diz.

O único chefe de governo que se rebelou contra o isolamento social é hoje o governante ainda no cargo – mas apenas por formalidade – mais isolado em todo o mundo.

Bolsonaro virou um brasileiro comum, um tiozão que finge governar enquanto é governado e se aglomera nas ruas porque ninguém mais no poder se aproxima dele.

Distraído, aéreo, passa a mão no nariz e depois cumprimenta as pessoas. Tenta se juntar a uma turma que já se dispersou.

Alguns ainda o apoiam, por interesses variados, mas quase todos preferem manter distância do homem avulso.

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