BOLSONARO NÃO SE CANSA DE HUMILHAR OS GENERAIS

Bolsonaro avisa que chegou ao limite com Hamilton Mourão. O vice incomoda e vem falhando nas tarefas recebidas.

Mourão foi até aqui um auxiliar mediano e inconfiável de Ricardo Salles, como presidente do Conselho da Amazônia.

Salles foi mandado embora, depois da descoberta de envolvimento com contrabandistas de madeira, grileiros e jagunços, e Mourão não aparece mais em nenhuma notícia sobre a floresta.

É como se as atividades do vice dependessem da existência e das orientações de Salles, que ninguém sabe mais onde anda.

O general parece não ter obtido êxito também na recente e ingrata missão a Angola para tentar uma trégua na guerra entre o governo e a Igreja Universal.

Há muito tempo, Bolsonaro não quer saber de Mourão ao seu lado em 2022, e Mourão não sabe como se livrar da herança como alguém sem identidade própria que apenas prestou (ou tentou prestar) serviços a Bolsonaro.

É uma relação complicada. Em outubro de 2018, pouco antes da eleição, Bolsonaro mostrou, em entrevista ao Jornal Nacional, que não sabia o nome do vice, a quem chamou de Augusto Mourão.

Um mês antes, Mourão havia dito à Globo News que, se fosse eleito e enfrentasse um clima de desordem, Bolsonaro poderia provocar um autogolpe.

Mourão é hoje, mesmo que com a voz ainda baixa, talvez por não saber se pode falar mais alto, o contraponto aos blefes de golpe de Bolsonaro e de Braga Netto e que já fizeram parte do catálogo de Augusto Heleno e até do sempre lembrado como moderado Fernando Azevedo e Silva, que foi para casa e se recolheu ao silêncio absoluto.

Bolsonaro disse nesta segunda-feira que Mourão foi escolhido a toque de caixa e que desta vez quer pensar melhor sobre o vice, porque o general “por vezes atrapalha um pouco a gente”.

Bolsonaro comparou Mourão a um cunhado chato. É mais uma humilhação pública das tantas a que Bolsonaro submete seus generais, muitos deles demitidos (já foram 17) por conflitos com os filhos do sujeito.

O homem não tem partido, porque ninguém aceita sua companhia, mas já sabe que o vice pode ser uma mulher ou um nordestino ou um mineiro.

Há curiosidade em saber que partido irá no fim acolher Bolsonaro. Mas o que todos tentam descobrir é quem topará ser o vice do sujeito nas atuais circunstâncias.

Todos os civis da direita e da extrema direita, que se aproximaram de Bolsonaro para parcerias políticas desde 2018, se deram mal.

Da relação sempre problemática com Bolsonaro, só alguns militares de alta patente sobreviveram, mesmo que a maioria dos ocupantes de cargos de confiança no primeiro escalão já tenham sido descartados.

Mourão é o cunhado que Bolsonaro terá de aguentar por mais um ano e meio.

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E O ARTISTA?
Apareceu um empresário paulista que vai pagar a reforma na estátua do Borba Gato.

Isso quer dizer que, em nome da arte, da história e de qualquer pretexto do poder branco, é possível salvar a homenagem à aberração que caçava negros e índios.

A prefeitura de São Paulo não diz o nome do empresário, para evitar problemas.

Mas que problemas, se acham que a estátua deve ser recuperada?
A questão incômoda passa a ser esta: que artista vai se dispor a remendar as botas e os fundilhos de Borba Gato?

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Nazistas alemães estão chocados com o encontro secreto da deputada nazista Beatrix von Storch com o amigo Bolsonaro no Alvorada.
O encontro e a foto que vazou mancham a imagem dos nazistas.

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O PAÍS DA FADINHA E DE BOLSONARO
Vivemos no mesmo país em que uma menina mágica de 13 anos se comporta como adulta e enfrenta jovens de mais idade e até mulheres maduras na Olimpíada, e esse mesmo país é governado por um presidente da República que se comporta como uma criança de 13 anos.

Vivemos no país em que a ação de jovens negros contra o símbolo agressivo de um criminoso, erguido em praça pública, com dinheiro público, é incendiado como aviso de basta, e essa atitude de resistência provoca manifestações indignadas muito mais da esquerda do que da direita.

Vivemos no Brasil em que as esquerdas brancas se dedicam ao debate da ação política e das suas circunstâncias, para desqualificar a ação de jovens negros insultados pelas estátuas de escravistas e pelo próprio imobilismo dos brancos.

Vivemos no Brasil em que militares, apresentados como reserva moral da nação, recebem até R$ 100 mil por mês, enredam-se em fraudes de vacinas e cloroquinas e protegem um sujeito com provadas ligações com milicianos e, pelo que se sabe agora, com vínculos de afeto com grupos nazistas alemães.

Vivemos no país em que o golpe virou blefe e o blefe assume o lugar do golpe e ninguém mais sabe o que é blefe e o que é golpe.
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