O CABO ELEITORAL MALDITO

Bolsonaro vem de duas surras que vão deixar sequelas. Foi surrado pelos militares, no sábado, e no dia seguinte foi surrado pelos eleitores. A surra dos militares, que o alertaram de que os quartéis não devem ser infectados pelo bolsonarismo, é dolorosa por vários motivos.

Primeiro porque Bolsonaro fica órfão. É como se tivesse sido abandonado pelos pais fardados. Ele se sente protegido pelos militares que empregou no governo, e achava que, como contrapartida, poderia usá-los inclusive em ameaças de golpe.

Os militares disseram, em documento das três armas, referendado pelo ministro da Defesa, que Bolsonaro não pode confundir as coisas. Que eles não trabalham para partidos, nem para governos, mas para o Estado.

O ego de Bolsonaro foi estraçalhado pelo pito dos militares e pelos resultados da eleição. Bolsonaro não ganhou uma aposta relevante, de repercussão nacional. Não conseguiu eleger nem a ex-mulher, Rogéria Bolsonaro, candidata a vereadora no Rio.

Sobrou para Bolsonaro lutar por Crivella no segundo turno do Rio, porque só o bispo é um autêntico bolsonarista do primeiro time. Os outros são eventuais sem grife e sem expressão.

Tem gente tentando descobrir coisas complexas na decisão de Bolsonaro de apoiar candidatos sem nome, naquelas lives ridículas que fez no primeiro turno. Mas quais seriam os candidatos com expressão que ele poderia apoiar?

Bolsonaro não conteve o impulso de dizer que votaria num monte de gente, por ter a certeza de que abençoaria os indicados. Pretendia se apresentar como um milagreiro de pretendentes do calibre de Rubenita Lessa, do PSL (propaganda na foto), que não se elegeu vereadora em Teresina.

Não funciona mais. Nomes que ele consagrou em 2018 sabem, a partir de agora, que podem se dar mal mais adiante se continuarem atrelando suas histórias à fama e à má reputação de Bolsonaro.

Alguém acredita que o governador gaúcho, por exemplo, poderá voltar a dizer que está ao lado de Bolsonaro, em 2022, mesmo que de forma meio dissimulada, envergonhada e constrangida, como fez em 2018?

O sujeito afundou Russomanno e destruiu as campanhas de muita gente da direita. O sobrenome Bolsonaro não é uma marca, como pretendiam que fosse.

Dos 78 candidatos que acrescentaram Bolsonaro ao nome, nenhum se elegeu. Porque o eleitor se deu conta da picaretagem. O único Bolsonaro eleito foi Carluxo.

Bolsonaro é desde já o cabo eleitoral maldito, o sujeito a ser evitado em 2022.

One thought on “O CABO ELEITORAL MALDITO

  1. Uma pena que pt e PDT não se uniram para disputarem o segundo turno com força contra paes. Morreram abraçados, quando poderiam ter enxotado de vez crivella da disputa pela prefeitura. Em São Paulo, o PDT de ciro apoiou França, ex-vice de Alckmin, no Primeiro turno. E agora, o que O pdt vai fazer em sampa? Os partidos de oposição precisam encontrar um caminho de união para a disputa de 2022 ou preferem ficar patinando nas escolhas?

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