O meu plano para ver o vampiro

Tanto tentei imitar Dalton Trevisan, aí pelos vinte e poucos anos, que depois seu estilo se misturava a tudo que eu escrevia, já sem a intenção de imitá-lo.

Mas a grande sacada foi de um jornalista do Paraná que escreveu um perfil do vampiro na revista Status, nos anos 70, como se o texto fosse do Trevisan, com a mesma batida. Não lembro o nome do cara.

Eu imaginava encontrar Trevisan num dia de garoa fininha, ao acaso, comprando pão sovado numa padaria de Curitiba.

Ele iria pagar com dinheiro vivo, sair e esquecer o guarda-chuva encostado no balcão. Não, eu não iria chamá-lo para ter a chance de vê-lo de perto e ouvir um obrigado.

Eu não iria dizer nada, não iria alertá-lo, e ficaria com o guarda-chuva. Eu poderia dizer: esse guarda-chuva foi de Dalton Trevisan. Mas nunca comprei pão em padaria de Curitiba.

O vampiro se foi hoje aos 99 anos.

3 thoughts on “O meu plano para ver o vampiro”

  1. Fui ao Sacolão perto de casa hoje, e na fila do caixa tinha um Bolsonarista de camiseta amarela da seleção…e o cara começou a falar do livro o Vampiro de Curitiba e outros contos do Dalton Trevisan…
    Fiquei estupefato: um Bolsonarista culto..

  2. Moisés, Com certeza tem gente de 20 e poucos por aí tentando imitar a sua escrita também, então não estranhe se pelos próximos anos se deparar com textos que lembram os seus.

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