DEGOLADORES

Depois de meses, áreas da Aberta dos Morros foram tomadas por cortadores de grama e macega da prefeitura. Uns 10 homens me acordaram com o barulho daquelas máquinas potentes que roçam perto do meio-fio.

Comemorei, acenei para a turma e vi que o mato alto das calçadas havia sido derrubado por cortadores de grama.

Fui admirar o serviço de perto. Junto com o mato, eles tinham derrubado um pé de cerejeira de meio metro, bem protegido por uma cerquinha.

Degolaram a cerejeira quase na base. Deixaram o toquinho. Eu preferia que minha rua tivesse ficado com as macegas. A degola da cerejeira deve ter sido por falta de treino.

Os caras demoram meses para aparecer (e não por culpa deles) e acabam com uma árvore ainda na infância. Fiquei chateado. Eu havia plantado a cerejeira um ano atrás com meu neto Murilo. Ganhei a muda de presente do Santiago Etchichury. Santiago e Murilo são crianças. Nem sei como os comunico da tragédia.

Quase perdi uma pitangueira, há quatro anos, para um vizinho que queria, acreditem, facilitar a entrada do carro na garagem… A pitangueira derrubada a facão ressurgiu do toco e está com dois metros de altura. E o carro continua entrando numa boa na garagem.

Parece que os degoladores de árvores me perseguem.

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