DELÍRIOS EM TORNO DE BOLSONARO

Circulam cada vez mais duas hipóteses que não se sustentam, baseadas nas especulações sobre um possível meio golpe e sobre a renúncia de Bolsonaro. Sem chance de impeachment por enquanto, todo mundo chuta. Se alguém acertar, leva a taça.

A hipótese do golpe considera que Bolsonaro estaria apostando na radicalização, não para escapar de uma situação insustentável e apostar no imponderável e seus desdobramentos, mas para alcançar o que ele acharia factível: o poder absoluto sob seu controle.

Bolsonaro imaginaria um governo compartilhado com os militares, até o fim da pandemia. Passado o surto, ressurgiria com base social forte, montado num cavalo branco.

É o sonho do déspota, que falta combinar com os militares e com a população. O próprio Bolsonaro já considerou, falando no cercado do Alvorada, a possibilidade do caos e previu que o país pode sair da “normalidade democrática”.

A hipótese de um governo forte sob Bolsonaro é quase um delírio. Quem dos generais toparia compartilhar os custos de um governo tendo Bolsonaro como um Médici de araque?

Bolsonaro aplicaria o golpe num dia e seria golpeado no dia seguinte.

A outra hipótese é a de que Bolsonaro pode renunciar, desde que os filhos sejam anistiados, levantada, entre outros, pela jornalista Maria Cristina Fernandes, do Valor Econômico.

Essa parece mais estapafúrdia do que a possibilidade de meio golpe com Bolsonaro de meio ditador.

Primeiro, porque os Bolsonaros não foram condenados. Há no Rio a investigação no Ministério Público sobre as rachadinhas de Flávio com o envolvimento do Queiroz.

Carluxo também foi acusado de usar servidores fantasmas em seu gabinete de vereador. É outra denúncia ainda em fase de investigação pelo MP do Rio.

Eduardo teve um processo movido por uma jornalista, sua ex-namorada, engavetado pela Justiça Federal de Brasília (um caso de ameaça de morte).

No processo da rachadinha, os envolvidos no pacto teriam que combinar com os russos – como diz a piada – que no caso são os procuradores estaduais.

Não há como achar que o MP do Rio, agarrado no pescoço de Flávio Bolsonaro, possa desistir do caso porque haveria um acordo político.
Seria o fim do MP, da Justiça e das instituições. É uma combinação inimaginável numa democracia, mesmo que degradada como a nossa.

Os outros casos envolvendo os filhos são as acusações das fake news, investigadas por uma CPMI do Congresso, e os disparos de mensagens por WhatsApp na campanha, de processo que sesteia no TSE.

Hoje, de todos esses casos, o único ameaçador é o que envolve Flávio com Queiroz. Os outros podem ser manobrados politicamente.

E o caso Marielle? Há suspeitas, mas não há nenhuma denúncia e tampouco há acusação formal contra eles envolvendo o assassinato da vereadora.

Não há crime com desfecho na Justiça que possa levar à anistia dos filhos. Não há sentença. Só se forem anistiados pelo conjunto de bravatas, agressões, ameaças, ódios e desvarios.

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