DESVARIOS DE UM GOVERNO IMAGINÁRIO

García Márquez iria se divertir com a América Latina transformada numa imensa Macondo.

Li agora essa notícia vinda da Venezuela, como se o texto tivesse saltado não de dentro de um jornal, mas de um livro que García Márquez pode ter deixado inconcluso.

Diz a notícia que o famoso ex-deputado Julio Borges renunciou ao importante cargo de ministro das Relações Exteriores.

Foi uma bomba na direita venezuelana, porque o sujeito era homem respeitado entre os inimigos do chavismo.

Mas descubro que Borges era apenas ministro do governo paralelo e imaginário do golpista Juan Guaidó.

O sujeito conseguiu renunciar a um cargo de fantasia num governo que não existe, e isso é notícia na capa dos jornais venezuelanos.

Diz a notícia que a oposição a Maduro ficou muito abatida, porque o
governo paralelo, que só existe na imaginação dos fascistas, está agora sem chanceler.

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COM A LICENÇA DOS MILITARES
Vão aparecendo as provas de que as ações de grileiros, destruidores de rios e florestas e assassinos de índios são políticas de Estado, com apoio dos militares.

É a manchete da Folha hoje:

“O general Augusto Heleno, ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) da Presidência, autorizou o avanço de sete projetos de exploração de ouro numa região praticamente intocada da Amazônia, gesto inédito do Conselho de Defesa Nacional nos últimos dez anos.

Heleno, que despacha no Palácio do Planalto e que se coloca como um dos principais conselheiros de Jair Bolsonaro, é secretário-
executivo do Conselho de Defesa, órgão que aconselha o presidente em assuntos de soberania e defesa.

Cabe ao ministro do GSI dar aval ou o não a projetos de mineração na faixa de fronteira, numa largura de 150 km.”

O que o marechal Rondon pensaria dos seus colegas militares aliados de Bolsonaro?

Mas Guaidó continua fingindo que governa um governo que não existe, e por sistema remoto, como faz desde muito antes da pandemia.

2 thoughts on “DESVARIOS DE UM GOVERNO IMAGINÁRIO

  1. Dizem que não se deve julgar toda uma classe pela ação de poucos indivíduos, mas no caso das Forças Armadas Brasileiras isto está difícil de não ser feito. Todos os dias tem alguma notícia sobre algum militar fazendo alguma coisa que arrepiaria os cabelos até dos ditadores dos anos de chumbo, incluindo o Figueiredo, último dos ditadores e que nem cabelo quase tinha mais. Depois dizem que a eles cabe a tarefa de defender a soberania nacional, mas isto parece mais uma piada de mau gosto, exceto se pensarmos que os inimigos da soberania nacional são índios, negros, mulheres, LGBTs. enfim, qualquer pessoa que pense diferente deles. Fruto de uma maneira de ver o mundo altamente hierarquizada, o chefe manda, e independente de ser a maior burrice, o subalterno faz. Ensinam somente a obedecer e não a pensar e quando uma classe assim toma o poder, a democracia corre sérios riscos, qualquer ideia muito melhor que a deles é sumariamente excluída e se possível com “cancelamento de CPF” como gostam de dizer. Como não aprendem a pensar e a exercitar o debate de idéias, as idéias deles são as mais rasas e simplórias, até parece uma daquelas séries infantis sem nexo nenhum.

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