Dos álbuns da ditadura

augusto

Nunca estive muito perto dos ditadores pós-64, até porque sempre fui um jornalista de paróquia. Nas vezes em que tentei, quase me dei mal. Em 1978, no final do mandato, Geisel foi a Santo Ângelo e fez um discurso num coreto na praça.

Eu era correspondente da Caldas Júnior em Ijuí e tentei me aproximar do palanque. De repente, sem perceber a presença de um segurança, levei uma cotovelada na altura do estômago. Potente, mas curta, seca, quase não percebida por quem estava ali.

O homem, sem dizer nada, dava o recado: ninguém se aproxima de um general assim no mais. Enquanto tentava retomar o ar, vi que outros jornalistas de gravata, com certa intimidade, circulavam com desenvoltura além do limite estabelecido pelo segurança. Eram os amigos dos homens. E eu de jeans e tênis…

Em 1979, em “campanha” (acredite) para a presidência, Figueiredo foi a Ijuí e discursou em um CTG. Eu consegui sentar perto do candidato a ditador. Um assessor tentou me tirar dali, para (eu descobri depois) dar o lugar aos jornalistas íntimos dos homens. Como não levei cotovelada, resisti e mantive meu lugar.

Hoje, vejo esta foto de Figueiredo e me lembro daquele episódio. Não sei se entre os amigos que queriam ficar mais perto do general, lá no CTG de Ijuí, não estava o moço que aparece à direita, atrás de Figueiredo.

É ele mesmo, Augusto Nunes, o caçador de esquerdistas de Veja, o repórter que inventou Collor como caçador de marajás em uma das mais vergonhosas reportagens do jornalismo brasileiro.

Nunes tem pupilos fiéis no jornalismo gaúcho. Muitos estão bem perto dos homens que tomaram o poder no golpe que derrubou Dilma.

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