DUAS MULHERES

Na Bolívia, os golpistas tiraram Evo Morales do poder, em novembro
do ano passado, e chamaram a senadora Jeanine Áñez para assumir o governo provisório da extrema direita. Era bom ter uma mulher como líder golpista.

Alberto Fernández assumiu o governo na Argentina em dezembro e chamou a promotora Cristina Caamaño para uma missão que muitos homens refugariam.

Esta semana, Jeanine, a celebridade, a apresentadora de TV que virou política, renunciou à sua candidatura à presidência na eleição de 18 de outubro.

Já na Argentina das Cristinas, a servidora pública Cristina Caamaño, consagrada no Ministério Público por sua atuação na área dos direitos humanos, leva adiante o desafio de desmontar e revelar a estrutura mafiosa que Mauricio Macri criou na área de inteligência para perseguir Cristina Kirchner.

Os contrastes entre a golpista Jeanine e a humanista Cristina são denunciadores das posições de cada uma.

Jeanine seria a mulher poderosa da direita boliviana para enfrentar o candidato de Morales, Luis Arce, do Movimento ao Socialismo.

Como a direita pode perder no primeiro turno, a sacrificada é a mulher, entre quatro candidatos do golpismo – ela, mais Carlos Mesa, Luis Fernando Camacho e Jorge Quiroga.

A farsa do ‘feminismo’ golpista boliviano, articulado com empresários e militares, não resistiu à realidade às vésperas da derrota. A pressão dos parceiros determinou que Jeanine saltasse fora. A eleição virou coisa pra macho da direita.

Na Argentina, Cristina é definida como interventora da Agência Federal de Inteligência (AFI). É dela a tarefa de desvendar o esquema de espionagem ilegal que Macri montou dentro do órgão.

Os espiões eram orientados por comandos da Casa Rosada a perseguir inimigos. Como gestora da AFI, Cristina está mexendo com os bandidos de Macri.

Sua descoberta mais recente não é dos arapongas da direita do ex-presidente. É um dossiê com mais de 500 fotos e dados de perseguidos pela ditadura dos anos 70 e 80. Mais de cem imagens são de mulheres (foto).

Professoras, advogadas, psicólogas, estudantes, jornalistas, engenheiras, operárias, arquitetas, comerciárias, todas na lista dos torturadores. Muitas desaparecidas, que nunca mais foram vistas.

Outro detalhe: um dos retratados é Eduardo Duhalde, que atuava como advogado de presos políticos. Duhalde foi presidente, nos anos 2000, e agora é, acreditem, um ‘visionário’ que anuncia um novo golpe militar.

Um sujeito fora da casinha, que dá entrevistas para as TVs e os jornais de direita todas as semanas dizendo que os militares estão vindo aí de novo.

Duhalde é um dos sobreviventes daqueles tempos. Sobreviveu para cumprir hoje o papel de velhinho bobão.

O alvo de Duhalde, por inveja política, é uma mulher. Ele ataca publicamente Alberto Fernández (que estaria “grogue”), mas odeia Cristina Kirchner, a vice-presidente. A extrema direita se diverte com Eduardo Duhalde.

2 thoughts on “DUAS MULHERES

  1. E, de pouco em pouco, o povo argentino consciente vai desvendando seu passado mais sombrio, processando e punindo seus criminosos, SEM se importar com supostas instabilidades institucionais.

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