E SE DORIA DIVULGAR A CONVERSA COM O EMISSÁRIO DOS GENERAIS?

O pior para Eduardo Leite, no escabroso caso em que foi denunciado como mandalete dos militares e de Bolsonaro, ainda não aconteceu.

O pior aconteceria se João Doria divulgasse, na véspera das prévias de domingo, a gravação da conversa que teve por telefone com o tucano gaúcho.

Imaginem Doria divulgando a íntegra do diálogo com Leite, quando este tentou assustar o paulista com um recado de Bolsonaro.

O recado foi transmitido a Leite pelo general Luiz Eduardo Ramos. Doria deveria suspender o início da vacinação com a CoronaVac.

O telefonema de Leite foi dado no dia 15 de janeiro. Já foi contado em detalhes por Globo e Folha e admitido pelo próprio tucano.

O gaúcho disse ao colega de partido que o general Ramos, então secretário de Governo e hoje secretário-geral da Presidência, desejava que a vacinação não acontecesse naquele momento.

O argumento era fajuto. O governo queria que a vacina de Doria, desenvolvida pelo Butantan com tecnologia e matéria-prima chinesa, deveria fazer parte do plano nacional de vacinação.

Bolsonaro não queria que Doria saísse na frente. Era preciso sequestrar a vacina do inimigo e se apoderar do que ela representava.

Leite se prestou a fazer o papel de guri de recado. O aviso a Doria, que valia como alerta, não vinha de um civil de Brasília, mas de um general.

Mas o telefonema não deu certo. Doria disse que não recuaria e informou, conforme relato do próprio governador ameaçado:

— Lamento, Eduardo, que você tenha se prestado a atender um pedido dessa natureza do general Ramos. Diga a ele que vamos iniciar a vacinação, tão logo a Anvisa autorize a utilização da CoronaVac. E que eu estou ao lado da vida e dos brasileiros.

Dois dias depois, a vacinação seria iniciada em São Paulo, mesmo com a tentativa de sabotagem declarada de Bolsonaro. Leite havia fracassado como figurante do time de sabotadores.

Algumas perguntas são acionadas pelo episódio. Por que o caso só apareceu agora? Essa é fácil de responder. Doria tinha na manga uma carta destruidora.

O governador paulista esperou até dias antes das prévias para passar aos jornalistas amigos, da Folha e do Globo, a notícia que expõe os vínculos de Leite com o bolsonarismo.

A segunda pergunta é comprometedora: por que, tendo tantas outras lideranças próximas a Doria, para que o recado fosse dado em nome dos militares, Luiz Eduardo Ramos escolheu logo Eduardo Leite?

A resposta mais óbvia é um vexame para o governador gaúcho e para o Estado. Leite foi escolhido porque, na visão dos generais, era o mais habilitado a fazer o papel de mensageiro.

Escolheram um obediente e submisso às ordens do poder fardado. Mandaram o recado por alguém que, apesar de repetir várias vezes seu afastamento de Bolsonaro (depois de apoiá-lo em 2018), estava na verdade sob o controle do bolsonarismo e em especial dos militares.

A missão assumida ingenuamente por Eduardo Leite é condenável sob todos os aspectos, principalmente pela questão moral, porque a empreitada acontece num momento grave.

Quando Doria deflagrou a vacinação, o Brasil tinha 210 mil mortos por Covid, e a média diária de mortes era de 960 pessoas.

Foi muito mais do que barbeiragem. Foi um gesto contra a saúde pública. Eduardo Leite se prestava, como guri que entrega bilhetes, a tentar forçar Doria a suspender a vacinação.

É mais uma marca da extrema direita na testa do tucano que pretende ser a terceira via, mas na verdade circula pela mesma via do bolsonarismo.

3 thoughts on “E SE DORIA DIVULGAR A CONVERSA COM O EMISSÁRIO DOS GENERAIS?

  1. Este é o governador de todos os gaúchos escolhido pela maioria dos gaúchos. Em todo este tempo de mandato, o ato mais marcante dele como governador foi ter saído do armário. Não foi nada na área econômica, política, educacional, saúde pública, educacional, etc. É um zero a esquerda e outro a direita como governador. Também não é compreensível alguém que saiu do armário possa apoiar o governo mais fascista, misógino e incompetente que o brasil já teve. Afinal, quem tem a sensibilidade e coragem de se assumir, não pode andar de “mãos dadas” com quem historicamente é contra qualquer pessoa que não seja da “família tradicional cristã” (pelo menos na ótica tacanha desta gente).

  2. Esta atitude canalha , vergonhosa, genocida até, do nosso belo e bem vestido governador , me leva a inevitável pergunta : ele poderia estar de alguma forma envolvido no tenebroso caso Covaxin? Qual o interesse que ele teria em atrasar o início da vacinação? Apenas matar mais gente ?
    E outra pergunta : que argumentos teria usado o simpático general para convencer esta bela criatura a atender o pedido do presidente ?
    O doria , que já havia subido alguns pontinhos no meu conceito, com esta subiu mais ainda . Temos que concordar que muitos brasileiros devem sua vida ao governador de São Paulo – fato.qur eu jamais imsginaria pudesse acontecer . Doria foi macho ao peitar o genocídio.

  3. A TAREFA DE QUAISQUER DELES É ESPOLIAR O PATRIMÔNIO e o serviço PÚBLICOS. QUANDO PREFEITO, DORIA IMPLANTOU O SAMPAPREV EM SÃO PAULO. COMO GOVERNADOR LEVOU ALGUNS EX-MINISTROS DO GOVERNO TEMER PARA DAR CONTINUIDADE AO PROJETO DE DESTRUIÇÃO do estado. E é sempre saudável lembrar que o talvez ex-tucano Alckmin forneceu água com lodo do sistema CANTAREIRA aos moradores da região metropolitana, durante a crise hídrica de 2015.

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