É simples assim: os juízes são de direita e de esquerda

Há um alvoroço na grande imprensa com as declarações do presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, que dividiu os juízes trabalhistas em “azuis” e “vermelhos”. Foi em discurso no encerramento do 22º Congresso Nacional da Magistratura do Trabalho (Conamat), em Brasília.

O Estadão conseguiu um vídeo com o discurso do juiz, e os outros jornalões pegaram carona. Todos consideram um escândalo: Mello Filho teria dividido os juízes entre os de direita e os de esquerda.

O Estadão concluiu que os de vermelho podem ser do PT, como tudo que é simplificado pelo jornal. Leiam trechos da fala no evento que debateu “Justiça do Trabalho independente para um mundo em transição: sustentabilidade, inteligência artificial e trabalho protegido”.

“Não tem juiz azul nem vermelho. Sou do tempo em que todos nós, com os nossos diferentes pensamentos, trabalhamos para o desenvolvimento, fortalecimento e crescimento da Justiça do Trabalho”.

“Eu diria que não tem azul ou vermelho. Tem quem tem interesse, tem quem tem causa. Nós vermelhos temos causa, não temos interesse. E que fique bem claro isso para quem fica divulgando isso aqui no país”.

“Nós temos uma causa e eles que se incomodem com a nossa causa, que nós vamos estar lá lutando o tempo todo na defesa da nossa instituição e das pessoas vulneráveis. E a Constituição nos dá poder para isso. Então não tenho preocupação com os azuis, mas com os vermelhos”.

“Não deveríamos ser artífices da retirada dos direitos daqueles que mais precisam deles, como também do acesso à justiça. Nosso papel não é legislar, e quem define os destinos de um país que se diz democrático é a Constituição Federal. Os valores constitucionais foram pré-estabelecidos por um pacto social e político que deve ser resguardado na sua inteireza”.

O que é possível ler do discurso de Mello Filho, que assumiu o TST em setembro do ano passado? Que as mudanças na legislação trabalhista buscaram amordaçar a Justiça do Trabalho. É óbvio. Que a precarização do trabalho e a redução do poder dos sindicatos e da própria Justiça favorecem o poder econômico.

E que – e aí está a conclusão mais importante – as reformas expuseram ainda mais posições de juízes em defesa do trabalho, de um lado, e em defesa do capital e dos patrões, de outro. Mas não foi sempre assim? Foi, mas está mais evidente e até escrachado. Em todas as áreas.

O que o presidente do TST disse é: a Justiça tem juízes de direita e de esquerda, estúpidos. Ele não disse, mas se sabe que juízes de direita, que defendem interesses do outro lado, são inclusive vendedores de sentenças em tribunais do país.

O presidente do TST teve a coragem de dizer que as decisões do Judiciário, em qualquer área, são orientadas cada vez mais por posições ideológicas, num país em que desembargadores participam até de banquetes com milionários envolvidos em processos que os desembargadores julgam.

Poderia ter dito que há juízes fascistas, além de dedicados a interesses dos poderosos. É só isso. O resto é conversinha sobre Justiça técnica, que certamente existe, mas não é disso que o presidente do TST está tratando.
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2 thoughts on “É simples assim: os juízes são de direita e de esquerda

  1. Que falta faz Antonio Carlos Magalhães para lutar pela EXTINÇÃO deste entulho autoritário da Ditadura FASCISTA de Getúlio Vargas (Estado Novo), chamada Justiça do Trabalho.

  2. Por falar em trabalho, como o Lula vive encastelado, é possível que o Congresso tome gosto por humilhar o governo e faça com que o fim da escala 6×1 não avance.

    “É o que diz” Daniela Lima hoje no UOL.

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