Falta algo

punho

Ainda falta o grande gesto desta Olimpíada, aquele gesto que arrebata e será lembrado para sempre. Não uma atitude política qualquer, um Fora Temer (não precisa), mas um gesto forte, surpreendente, que abrace alguma das tantas causas que o mundo oferece hoje aos que têm visibilidade, fama e reputação.

O esporte ainda deve ao mundo maior engajamento às grandes causas. Sei que muitos acham que esporte e política não podem se misturar.

A política miúda, não. Mas a política graúda, a que me mexe fundo com as pessoas e cobra posições de nomes mundiais, essa pode e deve interferir nos grandes eventos.

Até a Coca-Cola sabe que uma Olimpíada não é uma bolha à margem da realidade. Não se espera um novo punho fechado erguido no pódium, como os atletas negros americanos fizeram em 1968, porque aquele foi um gesto único para que possa se repetir.

Mas algo parecido, em nome dos refugiados, das mulheres atacadas pelo machismo sem pátria e dos perseguidos pela homofobia impune, faria bem ao mundo que não se conforma com as vítimas do novo reacionarismo.

O gesto de um segundo de um atleta pode valer mais do que mil palavras de um político. Um evento mundial não pode ficar resignado com as crueldades do mundo hoje.

O humanismo depende também de uma Olimpíada, ou teremos apenas um certame de caras, grifes, choros e recordes.

Ah, sei, dirão que há muito tempo uma Olimpíada não se presta para manifestações de atletas porque o Comitê Olímpico pune quem cometer gestos políticos. O Comitê Olímpico que fique com suas regras.

Normas existem para serem afrontadas por grandes causas, ou o mundo não anda. O problema é que hoje sobram normas e falta quem as afronte. Os atletas mundiais estão muito parecidos.

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