Flávio cria um problemão para o extremista moderado
Tarcísio de Freitas é o Neymar da extrema direita. Sempre sente algum desconforto diante de momentos decisivos. Encolheu-se depois das barbeiragens dos ataques a Alexandre de Moraes e das batidas da Polícia Federal na Faria Lima, vacilou diante da base raiz do bolsonarismo e do próprio Bolsonaro e deixou claro que tem medo de enfrentar Lula.
Mas a velha direita e o novo fascismo, mesmo sabendo das suas fraquezas, sabe também que hoje só ele poderia desafiar Lula. Como deixa bem claro agora, nos recados enviados aos jornais, que Flávio é o coelho correndo na frente, para que outros mais fortes, se existirem, corram atrás.
E o único corredor, como aposta de Valdemar, Ciro e Kassab, da Faria Lima-PCC, da velha Fiesp ressuscitada por Skaf, de desmatadores, jornalões, garimpeiros, milicianos e de manés à espera da anistia – o único, apesar de estar sempre com um problema no joelho, é Tarcísio.
Ninguém levou a sério que Michelle estivesse desafiando Bolsonaro e os enteados para se habilitar à candidatura à presidência em 2026. Michelle não sobreviveria sem Bolsonaro e sem os garotos.
Ninguém leva a sério Zema e Caiado, que são tartarugas capazes de subir apenas em cercas regionais. E poucos demonstraram até agora que Ratinho Júnior é de fato uma alternativa competitiva. Ratinho foi esquecido, como estratégia ou como demonstração de que é inexpressivo como nome nacional.
E Flávio não prospera sem a confiança e o suporte do centrão. É previsível que aumentem as pressões de todos os lados para que Tarcísio tome mais Coca-Cola, crie coragem e seja o homem que a direita quer. Antes, é preciso combinar com os russos.
A Polícia Federal começa a fechar cerco em torno de Claudio Castro no Rio e terá que fazer o mesmo em São Paulo, onde há muito tempo apareceram as pontas dos fios que conectam o crime organizado ao poder econômico e político, e não só na Faria Lima.
Além disso, na média das pesquisas antigas e recentes Tarcísio não se apresenta, como seus admiradores gostariam, como o nome forte da direita para 2026. Em muitas sondagens, fica atrás de Michelle e nunca teve performance que pudesse ameaçar Lula.
Mas não há outra saída hoje. Flávio aguenta alguns meses fazendo onda, ganha exposição para a campanha ao Senado no Rio e, na hora certa, comete o gesto de grandeza de renunciar à missão que o pai e Deus lhe entregaram.
E Tarcísio, o extremista moderado que vacila, será empurrado à força para o jogo, em lance pessoal de alto risco, porque tem reeleição assegurada em São Paulo. Se perder para Lula, fica fragilizado e sem mandato e sem imunidades políticas por quatro anos, o que hoje, com mudanças constantes de cenários, é quase uma eternidade.
O que se tem até agora, como apoio categórico a Flávio, são as manifestações de Carluxo (“Eu só sei que meu pai decidiu e a gente vai apoiar. E é por aí”), Valdemar Costa Neto (“Bolsonaro falou, está falado”), Michelle (“Que o Senhor te dê sabedoria”), Mario Frias e os dois Eduardos, o Bolsonaro e o Pazuello.
O resto manda recados sem fontes aos jornalistas amigos e espera para medir o fôlego do coelho, que poderá ter atrás dele também a Polícia Federal. Flávio é um dos grandões impunes do fascismo, e sua indicação pelo pai não deixa de ser uma afronta à leniência do sistema de Justiça.
(Até a conclusão deste texto, Tarcísio de Freitas, que deveria ter sido a primeira voz a dizer que Bolsonaro está certo ao ungir o filho, permanecia calado. Tarcísio pode ter sentido uma fisgada no posterior da cocha direita.)

Quem estiver apostando, que essa candidatura é fake para pegar bobos, estará vitorioso.
Ela é só prá tirar o do tarcisio da reta da pf e do stf.
O povo nao tem memoria, lá por março ou abril o rachadinha desiste. Abre a vaga pro extremista moderado.
Moisés, você já ouviu falar em redes sociais? Facebook, Instagram, Zap Zap e até blogs? Não, nunca ouviu falar? Poxa vida, sério que você nunca ouviu falar disso?
Então, os políticos de hoje em dia usam as redes sociais para falar com seus eleitores, com as bancadas, com os diretórios, com o povo em geral e também para mandar recadinhos.
Os recadinhos geralmente são enviados por um troço chamado X, ou antigo Twitter, uma rede social famosa pra caramba… Você nunca ouviu falar também?!!!
Bem, As mensagens pelas redes são instantâneas, algumas são enviadas ao vivo, com imagem e som da própria pessoa que está passando os recadinhos.
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(Pessoal, O Moisés parou no tempo. Ele vive até hoje entre 1989 e 1994. Ele acredita que os políticos enviam recadinhos pelos jornais impressos e ficam aguardando os efeitos da mensagem, também pelos jornais.
No mundo do Moisés, Eles, os políticos, ligam do orelhão para a redação dos jornais e marcam encontros com jornalistas de direita, os garotos de recados dos patrões, que anotam os recados numa caderneta e digitam no outro dia a mensagem, teclando numa máquina de escrever elétrica.
Coitado do Moisés, ele não compreende direito a era digital, pessoal).
O FANTÁSTICO MUNDO DE MOISÉS MENDES:
_ Filho, eu escolhi você para ser presidente, tá ok?
_ Obrigado, pai. Como vamos divulgar isso?
_ Ligue a cobrar para o Valdemar. Ele vai mandar um telegrama para o Elio Gaspari, da Folha, marcando uma reunião para passar esse recado a todo Brasil, tá ok? O Valdemar vai marcar a reunião na quarta, para dar tempo do Elio datilografar e publicar o recado na coluna dele de domingo.
_ Certo, pai.
_ Ao longo da semana, vá até a banca de jornal para pegar a Folha e dar uma olhada na sessão de carta dos leitores e nos editoriais. Vamos ver o efeito disso na sociedade e entre os partidos.
_ Ok, pai.
_ Vai lá, 01.
Rapaz, eu sou um gênio da comédia! Se estivessem vivos, o Chico Anísio e o Jô Soares iam encomendar roteiros para mim! Estou chegando ao nível de humor de um Diogo Mainardi…
Até o Neri vai morrer de rir deste texto humorístico sobre o maravilhoso mundo de Moisés Mendes.
O fato é que esta brigaçada toda tá boa demais de assistir. Se o eleitor estiver vendo e quiser levar em conta na hora de decidir o voto, …