Folha poderia ter enviado repórter de bicicleta à Faria Lima, mas escolheu o Camboja
Mais de 40 fintechs são investigadas na Faria Lima, por lavagem de dinheiro para o PCC, e a Folha nunca conseguiu nada do que se possa chamar de reportagem investigativa sobre o caso. Que tem um ano.
Nada sobre o crime organizado na Faria lima, investigado na Operação Carbono Oculto, na vizinhança de Folha e Estadão. Mas sabemos tudo sobre o crime organizado no Camboja.
Esta é a chamada: “Crime organizado no Camboja força brasileiros traficados a aplicar golpes fingindo ser agentes da PF”. E o crime organizado das fintechs?
É uma boa pauta, executada com profundidade. Dos mais de cem telefonemas com ameaças que recebi nos últimos anos, quantos não vieram do Camboja? Mas por que conseguem chegar a estruturas criminosas do Camboja, mas não se aproximam da Faria Lima?
A Globo fez este ano uma série sobre bandidagem organizada, mas passou pela beira da Faria Lima. Fez referências genéricas, sem pisar perto da avenida. Têm medo dos bandidos do mercado financeiro? Ou o melhor é não mexer nessa área?
Perguntei ao Gemini, a inteligência artificial do Google, qual é a distância entre a sede da Folha e a Faria Lima. Essas foram as informações:
“A distância entre a sede da Folha de S. Paulo e a Avenida Brigadeiro Faria Lima é de aproximadamente 7,6 quilômetros de carro. O tempo de deslocamento e as melhores rotas variam conforme o meio de transporte. De carro: O percurso leva cerca de 32 minutos, subindo pela Rua da Consolação ou pela Avenida Nove de Julho, dependendo do trânsito.
De transporte público: O trajeto dura cerca de 30 a 35 minutos. A forma mais rápida é caminhar até a Estação República do Metrô (Linha 4-Amarela) e descer diretamente na Estação Faria Lima ou Fradique Coutinho. De bicicleta: O trajeto leva cerca de 30 minutos”.
E perguntei qual é distância de São Paulo para o Camboja:
“A distância em linha reta de avião entre São Paulo e o Camboja é de aproximadamente 16.805 quilômetros. Detalhes da Viagem. Duração total: O tempo de viagem com conexões e escalas costuma variar entre 29 horas e 32 horas (podendo ser maior dependendo do tempo de espera nos aeroportos).
Não existem voos diretos entre o Brasil e o Camboja. Rotas comuns: As viagens exigem pelo menos uma ou duas conexões em grandes centros internacionais (como Doha, Dubai, Istambul ou Paris) e grandes hubs asiáticos antes de chegar a cidades como Phnom Penh ou Siem Reap”.
Resumindo: a repórter Victoria Damasceno, da Folha, poderia ir de bicicleta à Faria Lima em 30 minutos. E vejam as voltas que deu para chegar ao Camboja.
Os bandidos com e sem gravata da Faria Lima passam várias vezes ao dia na frente da Folha. As estruturas que eles mantêm também matam gente. Mas a Folha não quer saber de gente que se mete com o PCC. A Folha prefere a bandidagem exótica do Camboja.

O Moisés agora deu pra ser engraçadinho. Ele quer que uma repórter da Folha entre tranquilamente na sede de uma fintech na Faria Lima, sem mandado judicial, acesse os computadores da empresa, quebre o sigilo bancário de todos os sócios e clientes, salve tudo num pen drive e leve o material para a Barão de Limeira para ser analisado. Tudo sem qualquer participação da Polícia Federal, do Banco Central, da Receita Federal, do Ministério Público Federal e da Justiça Federal. Alguém está precisando de um redator de humor ? Eu indico o Moisés Mendes.
O Moisés está obcecado. Ele está batendo papo com IA sobre a distância do prédio da Folha até a Faria Lima.
Moisés, o prédio da Folha está caindo aos pedaços, com andares inteiros vazios, rachaduras, tinta velha, calçada quebrada, uma coisa de dar pena. Não tem nada de “grandes corporações”.
Fique bem, fique offline, curta a família.
Moisés, você está bem, rapaz? Procure dar um tempo de internet! Você está obcecado pela Folha, pelos jornalistas da Folha, da Globo; como influenciador de política, está sobrecarregado de informações do mundo digital, com alertas constantes de curtidas, compartilhamentos e comentários gigantescos no Facebook; deve olhar o Zap a cada poucos segundos por causa do PT e da profissão; está conversando com IA como se ela fosse uma boa amiga sua! Para piorar, recebe ameaças, enfrenta o processo do homem que você mais odeia na vida e está vendo que o Lula pode perder a eleição contra o temido “fascismo”. Ninguém aguenta tanta coisa na cabeça!
Moisés, todas as informações novas sobre a relação de parte da Faria Lima com o crime organizado aparecem na Folha no caderno de economia, que você não lê, porque ninguém lê aquilo. São informações chatas sobre os compliances das firmas e fintechs, todas agora fazendo varreduras dos clientes tanto por causa da Carbono Oculto quanto pela classificação das organizações criminosas pelo governo Trump como terroristas. Pô, você não vê a careca do advogado corrupto Nelson Willians o tempo todo nas capas dos jornalões?
Mais ou menos uns seis meses antes da policia estacionar o camburão na avenida, uma reportagem enorme sobre uma reunião entre banqueiros velhos, FIESP, membros do MP e das polícias federal e militar, já anunciavam que a coisa ia estourar. Eu cheguei a dar a data, o título e a página aqui no seu blog quando estourou a Carbono Oculto. Aqueles banqueiros expressaram o medo do não retorno dos negócios sem a participação do crime organizado.
Tire férias, Moisés!
O repórter da Falha evita a Faria Lima. Afinal, pode dar de cara com um CEO superior dele. Vai saber …
Não, burrão, há reportagens sobre a Faria Lima no caderno de economia, mas você não lê jornais e o Moisés não lê o caderno de economia.
Saia da internet, curta a família ou dê uma volta no parque.