FREDDIE E AS TREVAS

Quem anda com vontade de chorar e não chora há muito tempo deve ver Bohemian Rhapsody. Tudo é bonito e emocionante. O ator Rami Malek faz um Freddie Mercury denso e divertido. As grandiosas cenas finais valem o filme.

Mas tem um quê, um senão, um detalhe que não é detalhe, mais ainda nos dias de hoje. O filme é travado na abordagem do que alguns resumem como a sexualidade de Freddie, mas não é apenas sexualidade, é sua condição humana, seus afetos, seus amores, acima das controvérsias simplistas e reacionárias sobre gênero e sexo.

O filme não trata da vida de Freddie Mercury como deveria, a vida que as grandes biografias devem contar.

Bohemian Rhapsody é lindo, mas é também o filme da nossa época, dos Trumps, dos Bolsonaros, de gente que odeia artistas, negros, gays, índios, professores.

Fizeram um filme sobre um grande artista no seu tempo de preconceitos, mas esconderam hoje o que os tempos atuais, tão ou mais sombrios, pedem que seja escondido.

Sabemos que ele era tímido, reservado em público como bissexual, e ninguém pode desejar que esse cuidado seja traído.

Mas o filme poderia ser menos cerimonioso com a moral imoral dos nossos tempos fascistas de perseguições e trevas. Prevaleceu o entretenimento (e vale o filme), mas esconderam o que poderia revelar quem foi mesmo Freddie Mercury.

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