Há uma encruzilhada diante das esquerdas
Se juntassem num mesmo espaço analógico, e não na internet, nesses dias pós-eleição, um grupo variado de militantes de esquerda, incluindo dirigentes, quadros intermediários com capacidade de intervenção em falas e ações políticas e mais a base histórica e recente dos partidos, teríamos uma babel pré-PT, do tempo dos DCEs, das Libelus e dos MR-8.
De um lado, ficariam os que desejam radicalizar discurso e ação, num esforço para compensar até a data da eleição do segundo turno, daqui a duas semanas, o que não foi feito cotidianamente durante anos.
Do outro lado, estariam os que entendem que a base política formada em nome da governabilidade deve ser ampliada com a ajuda de Kassab e Arthur Lira, sempre pensando em 2026, ou a vaca, o boi e os bezerros vão pro brejo, levando todas as emendas PIX.
A primeira turma, a da volta às raízes, acredita ser possível retomar a conversa com o povo e as periferias sobre os valores envolvidos na defesa dos trabalhadores, mesmo que esses tenham sido cooptados como futuros mensageiros de Deus ou da prosperidade de Pablo Marçal.
Na mesma linha, intensifica-se o apelo para que o PT e as esquerdas reconquistem as almas coletivas da classe média, que também estão na origem do partido e do lulismo, apesar de dispersas e cada vez mais infiéis.
Os defensores da volta às raízes estão incomodados com os que se agarram à salvação pelo alargamento da base de sustentação de Lula. Porque essa base seria expandida, é claro, pela direita.
O PT se fragilizou nas grandes e médias cidades, os trabalhadores do século 20 não existem mais com as mesmas feições, os estudantes e os professores se distraíram e os sindicalistas foram aniquilados pela competência das reformas dos que agora venceram a eleição. Não há mais a UNE de tempos idos e nem padres progressistas existem mais.
Nas bordas dessa conversa em que existem mais do que diferenças, com alguns conflitos profundos sobre a compreensão do que aconteceu e sobre as possíveis saídas, apresenta-se ainda a controvérsia sobre o avanço da militância e das candidaturas identitárias, que teriam desfigurado a pregação classista histórica das esquerdas.
Com uma ressalva: se não fossem as candidaturas identitárias, algumas cidades teriam anunciado o fim das esquerdas locais. O que talvez empurre o debate para outra abordagem possível, a de que o problema não é dos identitarismos, mas da fragilidade dos ‘outros’ mais antigos que não os compreendem, que perderam terreno e ficaram para trás.
O que temos é quase uma guerra de versões sobre o retrato do cenário pós-eleição, com muitos desencontros sobre as estratégias do que e como fazer para reconstruir raízes e atacar, ou criar uma frente ampla com a direita de centro e conviver numa boa e moderar.
Como 2026 fica depois da esquina, logo saberemos o que prevaleceu, o que deu certo e o que deu errado. Se é que teremos forças e liberdade para o debate, depois de 2026, se tudo der errado.

O insuspeito Ronaldo Kotscho, ex-secretário particular de Lula, já apontou no UOL o futuro da esquerda: trata-se do CASAL 20 – João Campos e sua noiva Tabata Amaral. Esquerda globalista woke, evidentemente, já que a esquerda marxista – aquela da falecida luta de classes – está na UTI, respirando por aparelhos, em coma induzido, desenganada pelos médicos, e à espera da Unção dos Enfermos e da paz derradeira que enfim a irá redimir. Como aliás, bem demonstra a foto que ilustra esta postagem.
Esta estória de fim da esquerda lembra o fim da História, depois que passaram por cima do Muro, em Berlin. Mario Quintana diria, eles passarão, eu passarinho. A foto aí em cima serve de inspiração, afinal o pessoal não evoca ainda o Brizola, com sucesso?
Que triste fim de Luís Inácio Lula da Silva, hein ? Depois da SURRA ELEITORAL tomada pelo PT, o “cara” não consegue sequer emplacar um nome para uma lista tríplice para vagas em tribunais superiores. Lula mandou organizar um jantar só com ministros do STJ, na residência oficial. Não satisfeito, Ontem telefonou para dezenas deles, e nem assim conseguiu emplacar o seu amigo do peito, o Desembargador Rogério Favreto, do TRF-4, que lhe concedeu habeas-corpus num domingo de plantão judiciário, em pedido formulado por Paulo Pimenta, Paulo Teixeira e Wadih Dammous. Os Ministros do STJ deram de ombros, e simplesmente ignoraram Favreto. Lula é um PATO MANCO, manda menos que Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Artur Lira e Rodrigo Pacheco. Tem hoje 32 % das intenções de voto para presidente, não agrega um mísero voto a nenhum de seus candidatos no segundo turno, mal pode sair às ruas, e será FRAGORosamente DERROTADO em 2026 pelo nome escolhido pela direita e pelo mercado. Que TRISTE e MELANCÓLICO fim de carreira.
ERRATA: no meu primeiro comentário acima, ao invés de RICARDO KOTSCHO, escrevi equivocadanente “Ronaldo”. Feita a correção.