Ingênuos?

Uma das reações previsíveis aos efeitos do Pacote das Bombas que destruiu as fundações gaúchas é um argumento batido, que passa a ser repetido por certos jornalistas.
Dizem eles, com ar de sabedoria, que a sociedade, este ente às vezes aparentemente abstrato, deve se organizar para substituir o setor público.
Os governos, dizem esses sábios, não podem gerir e sustentar tudo. Sabe-se que não é bem isso que eles querem dizer, quando o fechamento de fundações põe na rua mais de mil trabalhadores e elimina a possibilidade de uma produção cultural, jornalística e de entretenimento alternativa, mesmo que na periferia do poder concentrador dos meios de comunicação.
O que eles querem dizer é que o Estado não serve mais para oportunizar a prestação de serviços na área da cultura (só se for na Europa), porque tem outras coisas a fazer.
O Estado, é o que eles querem dizer, deve ficar entregue aos amigos de quem estiver no poder e, como uma empresa, pensar em resultados e benefícios para a parceria que fica no entorno.
E o resto? O resto que se vire. O Estado idealizado por certos jornalistas, que apenas reproduzem o discurso da direita, é o Estado que privatiza suas estruturas para alguns.
A este tipo de Estado não interessa lidar com bens e serviços culturais que contemplem o que o setor privado não oferece, porque às empresas só o que importa são as grandes audiências.
Mas este jornalismo adesista é apenas papagaio de donos de vozes mais poderosas, que só pensam em abocanhar as verbas da propaganda estatal e em um palco que seja todo deles.
Estes jornalistas agem assim por ingenuidade, por má fé ou por ignorância mesmo, ou por tudo isso junto e misturado.

One thought on “Ingênuos?

  1. Caro MOISES. Que há um só foco eu não tenho dúvida. Mas é preciso considerar o seguinte: o funcionalismo público tanto fez que pediu para ser questionado. As mordomias, o desinteresse, a improdutividade, a falta de objetivos concretos, o corporativismo, o cabidismo. Quando eu era estudante e o socialismo me atraiu, eu ouvia que era preciso dar uma chance aos partidos de esquerda governarem para que as estatais pudessem justificar sua existência, inclusive gerando recursos ao estado. Pois bem o que aconteceu foi bem ao contrario. Acabou servindo para os interesses do partido e a eficiencia e o objetivo nunca foram realmente colocados em prática, gerando na sociedade essa sensação de que as estatais são fardos por demais pesados e ineficientes.
    Acho que, apesar de vir de um plasta como o Sartori, parece que a sociedade está dando um recado ao funcionalismo: funciona ou extinção. Profissionalismo acima de tudo.
    Não sei se me fiz entender.
    Que que ‘ocê acha??

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