Kadão

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Aprendi e me diverti muito com meu amigo Ricardo Chaves, o Kadão. Tudo o que fiz na Zero Hora em parceria com esse grande fotógrafo foi aqui por perto, coisinhas paroquiais, pequenas, miúdas, do mais singelo varejo do jornalismo. E Kadão parecia sempre, pela dedicação, estar cobrindo a Revolução Russa.

Numa dessas, eu fui o fotógrafo e fiz uma foto que o Kadão nunca irá publicar. Há muito tempo, fazíamos um perfil do Lutzenberger no Rincão Gaia, e Lutz disse que tomava banho pelado no lago que se formou onde existia uma pedreira.

Fazia um calorão. Nós três derretendo, sentados no trapiche do lago, e Lutz repetindo: o bom mesmo aqui é tomar banho pelado.

Kadão me olhou com um olhar sapeca de quem tinha 13 anos e  perguntou ao Lutz com a voz de quem tinha 10, como se pedisse autorização:

– Pelado?

– Sim, todo mundo – disse Lutz.

Kadão ergueu-se saltitante, tirou a roupa e mergulhou no lago. Eu fui até a bolsa dele e peguei a máquina. Comecei a fotografar tudo, até a saída do lago. Fotografei Kadão pelado, enquanto Lutz ria um riso contido, sufocado pela falta de ar que iria matá-lo alguns meses depois.

Pois esse Kadão fantástico, capaz de entender a senha dada por um gênio como Lutz (que estava dizendo: vai, te joga no lago, aproveita) lança hoje A força do Tempo, o livro com suas fotos, produzido pela Quati Produções Editoriais, com selo da Editora Libreto. A obra tem as mãos de dois profissionais que respeitamos, o Pedro Haase e a Clô Barcelos.

Será hoje, para convidados, às 19h30min, no Átrio do Centro Histórico-Cultural da Santa Casa. Dia 9 de novembro, Kadão, que cobriu tudo na vida, lança o livro na Feira.

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