Licia

Passei o dia fora e só agora comento a morte da socióloga Licia Peres, uma brava defensora da democracia, dos direitos das mulheres e do mais amplo humanismo.
Conversamos algumas vezes por telefone sobre assuntos como a anistia. Ela defendia o contrário do que eu pensava. O Brasil, dizia ela, não ganharia nada mexendo na anistia de 1979. Licia sabia do que falava. Ela, o marido, Glênio Peres, e a família foram marcados pelas crueldades da ditadura.
Quando adoeceu e teve uma recaída forte em meio ao tratamento, me mandou uma mensagem de valentia e relembrou o que eu havia dito, para que tentasse ver os efeitos avassaladores de uma quimioterapia como parte de uma gangorra dolorida até a cura. Lutou muito, mas não resistiu.
Tive a honra de contar com essa pensadora e combatente de esquerda como leitora atenta, que me questionava, interagia, provocava. Pena que Licia, uma política na essência da militância cotidiana, não esteja mais aqui para ajudar a golpear o golpe.

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