LIÇÕES DA BOLÍVIA PARA A ESQUERDA DEPRESSIVA

Uma certa esquerda depressiva brasileira não acreditava na possibilidade de vitória de Luis Arce na Bolívia. Alguns continuam não acreditando.

O Movimento ao Socialismo venceu na Bolívia porque resistiu desde a deflagração do golpe de novembro do ano passado. E não deu ouvidos aos que, ao invés de irem à luta, também lá devem ter feito profundas reflexões sobre o fim da democracia.

A direita mundial conseguiu aperfeiçoar os mecanismos de apropriação da democracia. Desde o processo de representação, até o uso de mordaças nas instituições, quando não do aparelhamento explícito do Estado. E se apoderou de parte das mentes das esquerdas.

O fascismo se deu conta de que não precisa de controles absolutos, pela força, para impor suas vontades. O Brasil é um exemplo.

Mas às vezes os controles falham. E só vacilam porque encontram resistência dentro do próprio jogo da democracia que parte da esquerda subestima.

Na Bolívia, a direita imaginou que o golpe abriria caminho para mais um período de exceção, até que alguém da própria turma alertou: é possível tomar conta de tudo, como a ditadura fez entre 1964 e 1982, e pelo voto.

A direita boliviana achou que manteria o poder numa eleição. Acabou sendo atropelada pelo ritmo imposto pela resistência, que exigiu eleições logo, e perdeu a gestão da crise que havia criado.

A esquerda boliviana venceu a eleição porque tem uma base de insubordinação que não temos. Aqui, nós tombamos resignados com o golpe de agosto de 2016.

Ensaios de reação nas ruas ocorreram por conta das exceções de alguns bravos. O Brasil submergiu ao golpe, ao lavajatismo e, mais tarde, ao bolsonarismo.

O Congresso, com o Supremo e com tudo, se submete aos conchavos e desatinos de Bolsonaro porque não há vozes suficientes para contrariá-lo. O Congresso controlado, mais do que o governo, é a expressão dos feitos perversos do golpe.

Bolsonaro militarizou o governo, blefou com o golpe, recuou, passou a andar de braços dados com os que ameaçava e assumiu com o centrão o controle de quase tudo.

O mais inseguro (porque protegido pelos militares) dos governantes eleitos segue adiante. O mais atrapalhado, o mais incompetente, o mais ressentido é fortalecido pela própria incapacidade de reação.

E aí entra a contribuição dos depressivos. Não são os profissionais da política. São a claque amadora, de soturnas vozes envelhecidas. A mesma que duvidava da soltura de Lula e da sua sobrevivência política.

Eles estão nas redes sociais com o mesmo ímpeto da direita. Mas a direita empurra os seus para cima, e a esquerda depressiva empurra os dela para baixo.

Essa esquerda ataca até candidatos da própria esquerda às prefeituras. Só para parecer inteligente e antenada.

O esquerdista descalibrado, consumido pela depressão pós-golpe, não é apenas um chato, é um dos candidatos a imbecil do século 21.

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