MACHADO, FELIPE E TENÓRIO

O Brasil dos influenciadores e youtubers ressuscita, como se fossem novos, velhos debates do século 20, quando muita gente era criança lá em Barbacena.

É o caso da provocação de Felipe Netto de que “forçar adolescentes a lerem romantismo e realismo brasileiro é um desserviço das escolas para a literatura”.

É dureza ler os decretos de internet. Essas figuras associam leitura a prazer, quase sempre. Como estamos em sofrimento com Bolsonaro, seus militares e a pandemia, vamos meter Machado de Assis e Álvares de Azevedo (citados por ele) nesse saco.

É pretensamente ambicioso. Mas é antigo, é uma controvérsia que vai e volta, talvez desde o primeiro manuscrito.

Ler nem sempre é como chupar picolé ou lamber uma lata de leite condensado, mesmo na infância e na adolescência.

É legal que seja prazeroso? Sim, é muito legal, mas é bom também que seja desafiador e nem sempre associado ao mesmo prazer das coisas fáceis.

É bom também que muitas vezes seja difícil. Assim chega-se aos clássicos e ao que vier pela frente.

Ler o que pode parecer complicado hoje é abrir caminhos para o que será muito bom (e não necessariamente associado a qualquer prazer) mais adiante.

E ainda tem todo o debate sobre como ensinar, que é assunto para quem lida com crianças e adolescentes, e não para palpiteiros.

Mas o Brasil é influenciado hoje por um cara que parece não ter lido Machado de Assis porque achou chato. Bem feito para os que leram Machado e não influenciam mais ninguém.

Tem que ler Machado e esse cara que aparece aí na foto ao lado dele, o Jeferson Tenório. Mais não digo, nem esclareço para Felipe Netto. Ele que descubra quem é o Machado e quem é o Tenório nas imagens.

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